Do gesto romântico ao consumo consciente: assim muda o mercado das flores em San Valentín

O sector prepara-se para uma das datas mais importantes de facturação enquanto faz frente às mudanças de consumo e exigências meio ambientais dos consumidores

Varios ramos de flores en una floristería de Madrid por San Valentín   EP
Varios ramos de flores en una floristería de Madrid por San Valentín EP

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San Valentín segue sendo uma data chave para as floristerías em Espanha. Só esta celebração pode chegar a representar até o 15% de sua facturação anual. No entanto, ainda que tradicionalmente associou-se ao presente em casal, o consumo de flores começa a transformar-se. A cada vez mais pessoas compram ramos para si mesmas e procuram propostas que combinem estética e sustentabilidade, afastando dos arranjos regular.

"A maior parte do volume de vendas concentra-se em metas pontuas como San Valentín ou no Dia de Todos os Santos", explica a Consumidor Global Luzia Somalo, professora de OBS Business School. Mas os reptos do sector vão para além da estacionalidad. A pressão logística, as exigências meio ambientais e as mudanças nos hábitos de consumo obrigam aos floristas a ser criativos e a diferenciar sua oferta.

A rosa segue sendo a rainha, mas vontade peso o local

A rosa vermelha continua dominando o mercado de San Valentín, com cerca do 70% das vendas e um ticket médio de 35 euros por ramo. Variedades como Freedom ou Explorer lideram a demanda, segundo dados da Associação Espanhola de Floristas.

Un ramo de rosas rojas para vender el 14 de febrero EP
Um ramo de rosas vermelhas para vender o 14 de fevereiro EP

Ainda assim, o consumidor começa a olhar para além da cor e a forma. "Está-se revalorizando uma flor que parece quase arrancada do campo. Quanto mais natural e silvestre, mais triunfa", assinala Somalo. Cresce assim o interesse por ramos locais e menos padronizados, uma tendência que permite reduzir a impressão ecológica derivada do transporte.

Mais compra presencial e embalajes responsáveis

A preocupação pela sustentabilidade não se limita às flores. Olga Zarzuela, presidenta da Associação Espanhola de Floristas, destaca que "nestas datas ao cliente importar muito o produto, mas também o envoltorio. A muitos interessa-lhes que seja natural ou elaborado com materiais reciclables e sustentáveis".

Ademais, o facto de que neste ano San Valentín caia em sábado tem reforçado a compra presencial, que representa ao redor de 75% do total, em frente ao 25% das vendas on-line. Um dado que confirma que, em datas assinaladas, os consumidores seguem apostando pela cercania e a confiança da floristería de bairro.

Os reptos ecológicos do sector

Grande parte da produção floral que se consome em Espanha procede de países como Colômbia, o que implica transporte especializado, altos custos e um uso intensivo de pesticidas. "A logística de enviá-lo, sabendo que se cultivam em zonas muito concretas e se distribuem a todo mundo, faz que seja muito complicado manter um modelo realmente sustentável", adverte Somalo.

Una trabajadora de un negocio asociado a Interflora prepara un ramo / PEXELS
Uma trabalhadora de uma floristería prepara um ramo / PEXELS

Neste contexto, a inteligência artificial começa a perfilar-se como uma aliada para optimizar a corrente de fornecimento e reduzir o desperdicio. "Há muitas flores que chegam em mau estado e acabam se eliminando. A IA pode ajudar a ajustar a oferta à demanda, tanto em termos estéticos como de valor simbólico", acrescenta a experiente.

O preço não o explica tudo

Ainda que para o consumidor medeio os ramos podem resultar caros, o preço final responde sobretudo à logística e ao trabalho artesanal. "Ao final, ainda que a matéria prima não seja cara, o processo sim o é. A curaduría do ramo por parte do florista local encarece o produto, mas também contribui valor", conclui Somalo.

O desafio do sector é agora evidente: oferecer flores que combinem beleza, sustentabilidade e significado, num contexto no que o consumidor procura não só presentear, sina também se cuidar e reconectar com o natural.