"Dormirei três noites fora": acampam na rua para conseguir o novo relógio de bolso de Swatch
Clientes instalam-se em frente à loja em Passeio de Gràcia pelo Royal Pop de Audemars Piguet x Swatch, uma edição limitada de 400 euros que alguns já planeam revender
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"Só o quero porque é edição limitada e depois valerá milhares". Assim resume um jovem dentre 17 e 19 anos o motivo pelo que se instalou nesta quarta-feira, 13 de maio, em frente à loja de Swatch em Passeio de Gràcia, em Barcelona, para conseguir um dos novos relógios de bolso Royal Pop, a colaboração entre Audemars Piguet e Swatch.
O lançamento oficial não será até o sábado 16 de maio, mas vários grupos de jovens já se turnan para guardar lugar numa bicha improvisada que ocupa parte da avenida do luxo de Barcelona. A expectación deve-se a que a edição é limitada e, segundo comentam os próprios aficionados, só os 100 primeiros poderão conseguir o relógio.
"Comprarei dois e revenderé um"
A cena chama a atenção entre turistas. Há paraguas abertos para proteger do sol —e da chuva prevista até o sábado—, mochilas gigantes, sacos de dormir, esterillas e até uma pequena mesa de plástico branca enfeitada com um cactus. Os jovens vão em chándal e organizam-se por turnos para não perder lugar na bicha.
"Passarei três noites fora por isto. Sai à venda no sábado, mas já fazemos bicha desde a quarta-feira", explica a Consumidor Global um dos meninos que espera em frente ao estabelecimento de Barcelona. Seu objectivo não é precisamente usar o relógio. "Agora vale 400 euros, mas quando se acabe esta edição limitada valerá milhares", afirma. "Eu comprarei dois e revenderé um", acrescenta.

A febre pelos relógios
O fenómeno recorda às longas bichas que já provocou o lançamento do MoonSwatch junto a Omega ou a colaboração com Blancpain. Mas desta vez há uma diferença: é a primeira vez que Swatch colabora com uma marca independente de alta relojería fora de seu próprio grupo empresarial.
O interesse disparou-se desde que Swatch confirmou oficialmente a colaboração o passado 8 de maio com uma mensagem em Instagram: "Apresentando Audemars Piguet x Swatch. Uma colaboração disruptiva que funde audacia alegre e provocação positiva com a arte da alta relojería".
Desde então, as redes sociais levam dias especulando com a reventa, as unidades disponíveis e o potencial coleccionista do modelo. Os jovens que fazem bicha em Barcelona o têm claro. "Audemars Piguet é uma das melhores marcas de relógios", explica um deles. "Há colecção. Por isso fazemos bicha", arremata.
Que é o Royal Pop de Audemars Piguet x Swatch
A colecção Royal Pop funde dois ícones da relojería suíça: o legendario Royal Oak de Audemars Piguet, criado em 1972, e os Swatch POP dos anos 80.
O resultado são oito relógios de bolso fabricados em Bioceramic e disponíveis em cores muito llamativos. Não levam correia tradicional de relógio de pulsera: podem-se usar pendurados do pescoço, enganchados à bolsa, no bolso ou inclusive como relógio de sobremesa graças a um suporte removível.
A colecção inclui oito modelos inspirados na arte pop e utiliza uma nova versão manual do movimento SISTEM51, um dos mecanismos mais reconocibles de Swatch. Ademais, a cada relógio incorpora referências diretas ao desenho do Royal Oak: o chanfro octogonal, os oito parafusos hexagonais e o clássico padrão Tapisserie na esfera. A marca também tem confirmado que só poderá se comprar um relógio por pessoa, dia e loja.

Sem venda on-line
O relógio só estará disponível em lojas físicas seleccionadas e não vender-se-á on-line. A fórmula já tem demonstrado funcionar em anteriores lançamentos da marca, onde centos de pessoas chegaram a dormir na rua para conseguir modelos limitados.
"Ir-nos-emos turnando entre os amigos. Nós somos cinco", comenta um dos jovens enquanto vigia a bicha sentado junto a uma mochila enorme e um paraguas negro. Em Barcelona, alguns grupos já se organizam para turnarse durante os próximos dias.
O relógio de bolso volta a pôr-se de moda
Para além da febre coleccionista, o Royal Pop supõe também um movimento arriscado para a indústria relojera: recuperar o relógio de bolso para convertê-lo em acessório de moda urbana. Os modelos prescinden da clássica correia e apostam por cordões de pele de diferentes tamanhos e cores.
O que está claro é que, dias dantes de pôr à venda, já tem conseguido algo difícil inclusive para as marcas de luxo: gente acampando em plena rua por um relógio de 400 euros.

