As plataformas asiáticas de comércio eletrónico continuam sob a lupa das autoridades. Há apenas uns dias a Temu recebia uma multa histórica por parte de Bruxelas, agora a Direcção Geral de Concorrência, Consumo e Repressão da Fraude (DGCCRF) de França impôs uma sanção de 22,4 milhões de euros à plataforma chinesa de comércio eletrónico Shein por incumprimentos relacionados com a informação oferecida aos consumidores.
A sanção soma-se a outra multa de 40 milhões de euros que a companhia aceitou pagar em julho de 2025 depois de uma investigação por práticas comerciais consideradas enganosas.
Shein, multada por falta de informação
Mais especificamente, a nova sanção afecta duas entidades do grupo. A primeira é ISSL, empresa encarregada da gestão da plataforma, que deverá pagar 16,7 milhões de euros por não incluir nos correios eletrónicos de confirmação de compra dados obrigatórios como a identidade do vendedor, o preço final dos produtos ou os prazos de entrega.
Por outro lado, ISEL, responsável pelas vendas dos produtos comercializados pela Shein, recebeu uma multa de 5,7 milhões de euros por deficiências na informação relativa às devoluções de determinados artigos e pela ausência temporária de informação sobre o impacto ambiental de alguns produtos.
Pressão às plataformas
Numa contundente declaração conjunta, vários ministros franceses afirmaram que a França manterá a pressão sobre as plataformas de comércio eletrónico que incumpram as normas europeias de protecção ao consumidor.
"Depois de uma primeira sanção de 40 milhões de euros no ano passado por práticas comerciais enganosas, a França volta a sancionar as práticas da Shein, que transformou a concorrência desleal num modelo de negócio. Para além desta nova multa, a França continuará a levar adiante esta luta a nível nacional e europeu para proteger os consumidores e os comerciantes que sofrem todos os dias por práticas deste tipo de plataformas", declararam três ministros.
A empresa defende a sua actuação
Por sua vez, a Shein anunciou que impugnará as sanções. A empresa sustenta que toda a informação exigida pelo regulamento estava disponível nas contas de utilizador acessíveis através de seu site e que as questões assinaladas pela autoridade francesa já tinham sido corrigidas anteriormente.
Além disso, a companhia qualificou as multas de "desproporcionadas e discriminatorias", e argumentou que as irregularidades detectadas eram de carácter técnico, não tiveram impacto nos consumidores e foram reparadas tão cedo como foram identificadas.
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