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Silbö cheira a chamusquina: caos na operadora que queria se comer o mercado

Desde a entidade asseguram que Opefreë tomará o controle da companhia e que as facturas seguirão chegando, apesar de que a CNMC tem dado luz verde ao fim da prestação de serviço

Juan Manuel Del Olmo

Una clienta de Silbö

Um morto que, para desconcerto de alguns, ainda não está enterrado. Isso é agora mesmo Silbö Telecom, uma operadora de telecomunicações espanhola que irrompeu no mercado em março de 2024 e que, um par de meses depois, cosechó um recorde de portabilidades mensais, com 15.000 altas netas. Não obstante, essa escalada fulgurante freou-se em seco, e agora a entidade está numa posição crítica.

Tanto é de modo que a Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC) tem autorizado aos provedores mayoristas de Silbö a suspender o serviço técnico à operadora depois de uma acumulação de impagos. Deste modo, os clientes poderiam ficar desligados numa data tão próxima como o 4 de maio, apesar de que a página site de Silbö Telecom continua operativa.

A queda de Silbö

Hoje, ler as declarações de Jorge Morán, conselheiro delegado da companhia, resulta entre hilarante e bochornoso. "Teremos 1,2 milhões de clientes e 200 milhões de rendimentos em 2027", disse a Economia Digital em março de 2024.

Três meses depois, a companhia assinou um patrocínio de 1,6 milhões de euros com a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), o que lhe granjeó muita notoriedad. "É uma empresa espanhola, nascida em Espanha, com empresários espanhóis... e a Federação, comprometida com a marca Espanha, não pode imaginar outra empresa melhor para que apareça em nossas t-shirts", proclamou então Alejandro Morais Mansito, vice-presidente da RFEF.

Acordo com a RFEF

Mas este acordo, que Morais desejava "eficiente para ambas partes", se avariou cedo. Desde então, tem tido silêncios inquietantes e perguntas sem responder. O último pós de Silbö Telecom em Instagram data de 4 de dezembro, quando anunciou uma oferta muito agressiva: 1 ano de dados ilimitados por 79 euros anuais. Nos comentários a dita publicação, alguns utentes deixaram claro que algo cheirava mau.

"Eu sou revendedora de Silbö, ainda que, por sorte, nunca cheguei a vender nada porque os técnicos atiravam as vendas... Quando se juntaram para comercializar produtos de Lowi e Vodafone, vendi com eles vários produtos, e ainda sigo esperando que me paguem facturas de novembro e dezembro.. já não apanham o telefone nem contestam por e-mail... devem-me mais de 1.000 euros", dizia uma utente.

"O comercial desapareceu"

"Oferecíamos Silbö no comércio onde trabalhava, e inclusive eu contratei uma linha pessoal. Pouco depois começaram os problemas: cobraram-me a mais e, pese a reclamar pelas vias indicadas, nunca recebi devolução. O comercial desapareceu e quando chamo para pedir solução, penduram ao mencionar dita reclamação", corroboraba outra.

Neste palco incerto, a recomendação do comparador Roams, experiente em poupança, é que os clientes procurem uma nova operadora e iniciem a mudança "de imediato" para não perder o número de telefone nem a conexão a internet. "Para seus utentes, o principal problema não é só o apagado do serviço, senão o processo prévio: meses de degradação na qualidade e muita incerteza sobre que ia ocorrer com sua linha", adverte no site Ana da Torre, experiente em telefonia de Roams.

Problema com o router

Certas incidências sugerem que as coisas não marchavam bem em Silbö desde faz tempo. Faz uns meses, F. Blesa descadastrou-se desta companhia porque em outra encontrou melhores condições. Depois de tramitar a baixa, entregou o router na loja na que tinha feito a contratação com Silbö. "As facturas pagaram-se todas", recalca a este meio.

Não obstante, apesar de que o aparelho está devolvido, cada mês lhe chega um correio no que Silbö lhe reclama o pagamento de 26 euros. "Obviamente não vou pagar algo que não corresponde", explica. Ainda que é um caso particular, serve para vislumbrar as grietas na gestão da operadora.

Opefreë entra em cena

Este meio tem chamado a Silbö (o telefone 1610 continua operativo), e a informação oferecida pela teleoperadora resulta desconcertante. "Vamos seguir proporcionando o serviço. Temos sido acolhidos por Opefreë, mas seguimos facturar a nossos clientes com normalidade. As facturas vão chegar-lhes a nome de Silbö e vão seguir tendo o serviço tanto de fibra como de linhas móveis", alega.

Ademais, agrega que o serviço não vai ser cortado, e desliza que têm solicitado ao departamento correspondente de Silbö que envie um comunicado a seus clientes para que aclare a situação. "Simplesmente há outra empresa que se vai encarregar. Estamos a ser absorvidos por eles", asseguram.

Que é OpeFreë

OpeFreë é um revendedor que tem o mesmo DNA: define-se como a divisão de wholesale de Silbö Telecom orientada a prestar serviços B2B2C e B2B2B a operadores locais. "A solução mais avançada em telecomunicações para operadores independentes", indicam em LinkedIn.

"Oferecemos 'marca branca' móvel sob cobertura Movistar, rede de fibra neutra de Telefónica, sistema telefónico (central virtual Cloud), sistema CRM 360 e apoio de marketing, entre outros. Somos o melhor partner de soluções de comunicação para operadores, e vimos a fazer as coisas como dever-se-iam ter feito desde o princípio", proclamam. No entanto, OpeFreë nem sequer tem página site, o que chirría bastante.

Quem está por trás de Silbö

Até o 11 de março deste ano, o conselheiro delegado de Silbö era Jorge Morán, nascido em Mieres em 1971. Previamente, este empresário tinha sido diretor de vendas em Finetwork. Depois de acumular impagos e atingir uma dívida que alguns meios cifraron próxima aos 70 milhões de euros, esta companhia foi absorvida por Vodafone em novembro de 2025. Morán já não estava dentro, mas já sabia bastante de números vermelhos.

Anos atrás tinha sido o presidente de Comunicalia, uma empresa gijonesa que, tal e como recolhe o diário Nortes, "esteve na lista de morosos de Fazenda ocupando o posto 97 durante os anos 2020 e 2021, chegando a dever mais de um milhão de euros à tesorería pública". Anteriormente, para 2009, Comunicalia declarava que os momentos de crises "são momentos de oportunidades", já que resultava mais singelo encontrar locais devido à queda do preço do aluguer. Média um mundo entre aquele palco e o atual, mas parece que certos modos de operar não se deixam atrás.