As bebidas energéticas levam anos baixo a lupa das autoridades. O que dantes era um produto de nicho para determinados desportistas ou profissionais que trabalham de noite é agora parte da dieta diária de gamers e adolescentes. Isto tem acendido os alarmes dos pediatras e os organismos sanitários devido aos efeitos da cafeína e a taurina em organismos em desenvolvimento.
Agora, a Organização de Consumidores e Utentes (OCU) tem realizado um estudo, e os resultados são alarmantes: em 60 batas diferentes de bebidas energéticas de médio litro, o conteúdo de cafeína é superior aos 150 mlligramos. Esta cifra é o limite diário para um menor de até 50 quilos de importância, segundo a Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA).
A OCU propõe ir para além da limitação
Num comunicado, a OCU tem indicado que, ante esta evidência, o regulamento que prevê impulsionar o Ministério de Consumo para proibir a venda de bebidas energéticas a menores de 16 anos e até os 18, quando superem os 32 miligramos de cafeína pela cada litro, "deve avançar para além da limitação da venda".
Assim, a OCU lança duas propostas:
- Uma redução, por lei, de até um máximo de 250 mililitros no volume de bata-las de bebidas energéticas. Isto é, que só se possam comercializar batas mais pequenas.
- Um reforço, no etiquetado, das advertências sobre os riscos associados a seu consumo. Ademais, pede que estas ocupem ao menos o 65% da superfície da embalagem.
Que riscos tem a cafeína
A cafeína em excesso "tem riscos: em curto prazo pode interromper o sonho, causar ansiedade e produzir alterações no comportamento; e, em longo prazo, originar problemas cardiovasculares", tem advertido.
Esta organização também tem mostrado sua preocupação porque o 15% dos adolescentes reconheça que consome misturas de bebidas energéticas e álcool, o que aumenta o risco de sofrer danos.
Que opinam os pediatras
No final de fevereiro, as sociedades pediátricas celebraram o anúncio do ministro de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, de proibir a venda de bebidas energéticas a menores de 16 anos e restringir no caso dos menores de 18.
A Associação Espanhola de Pediatría (AEP), junto a outras entidades, recordou que o uso frequente pode gerar dependência à cafeína e favorecer o sobrepeso, o aparecimento de caries e o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Sua combinação com álcool incrementa o risco de intoxicaciones e condutas perigosas.
Taquicardia e problemas de coração
Por sua vez, o presidente da Associação Espanhola de Pediatría de Atenção Primária (AEPap), o doutor Pedro Gorrotxategi, explicou faz meses que estes produtos produzem "taquicardia" e "fazem trabalhar ao coração mais do que corresponde", pelo que, "à longa, pode ter uma falha mais precoz".
Uma bata regular de 500 ml pode conter uns 160 mg de cafeína, o que equivale aproximadamente a duas xícaras de café espresso inesperadamente, com o acrescentado de uma absorção bem mais rápida pela acção do gás e o açúcar.