Descobre os Vinhos Verdes, a denominação lusa que procura ampliar a sua presença em Espanha

Desde cooperativas até empresas com uma história de quase cinco séculos, esta região lusa oferece propostas tradicionais, adaptadas às novas tendências e muito conectadas com o meio

Uma pessoa bebe um copo de vinho verde português / UNSPLASH
Uma pessoa bebe um copo de vinho verde português / UNSPLASH

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A Espanha, abosrta no seu vasto catálogo de denominações de origem, tem alguma dificuldade em aventurar-se para além do confortável âmbito dos seus vinhos nacionais, que podem ser clássicos, vanguardistas, atinadísimos, demasiado sérios ou demasiado casuais. É quase impossível acompanhar tudo. Para além da mistura entre a reverência e a subtil antipatía que se professa a certos vinhos franceses, italianos ou alemães, o consumidor médio não tende a provar referências internacionais.

E resulta curioso, porque existem esmeraldas próximas que boa parte do público desconhece. É o caso do Vinho Verde, que, mais que um tom cromático concreto, representa uma categoria de espírito vibrante e frescura. Sob o selo do seu DOC (estabelecido em 1908), esta região do norte de Portugal transcende o estereótipo para oferecer uma gama de vinhos rosés, tintos, espumantes e até aguardentes. Estes vinhos definem-se por uma mineralidade profunda e acidez equilibrada.

Vinhos verdes, uma questão de território

Para dar a conhecer as características dos seus vinhos, que assumem o verde pela paisagem exuberante da região, um punhado destas adegas lusas reuniu há uns dias em Madrid.

Bruno Almeida é um representante da Barcos Wines, companhia que se define como "fiel reflexo da terra e a gente do noroeste de Portugal". "Entre os consumidores espanhóis, creio que somos conhecidos sobretudo por aqueles que visitaram a região e têm interesse nela. Em Espanha, é verdade que existe uma grande variedade”, reconhece. Afirma que o novo consumidor, para além de um sabor sedutor, procura experiências, sendo fundamental saber oferecê-las.

O microclima da Barcos Wines

Também indica Almeida que alguns dos seus brancos têm perfis que podem lembrar a alguns galegos, e resulta bastante razoável: Ponte de Barca fica a 85 quilómetros de Vigo e a cerca de 50 de Braga. Aninhada nos vales dos rios Lima e Vez, onde goza de um microclima, produz “vinhos autênticos, refrescantes e minerais, espumantes e licores”. O seu Vinho Verde branco tem uma tonalidade palha, com aromas frutados e florais.

Barcos Wines exporta mais de 70% da sua produção, e os seus vinhos receberam reconhecimentos em muitos concursos. Por exemplo, o Adega Ponte da Barca Branco Grande Escolha (6,99 euros no site), o seu vinho branco mais emblemático, foi classificado no TOP 10 "Melhor Compra" do meio luso Revista de Vinhos. Ademais, em 2023 obteve a medalha de ouro de Mundos Vini (Meininger).

Quinta de Paços, cinco séculos de vinho

Um dos nomes mais emblemáticos do ilustre grémio dos vinhos verdes é Quinta de Paços. Ao longo de 16 gerações, esta casa fez vinhos com maestría, tal como conta a este meio Paulo de Matos. Elaboram vinhos nas subregiões de Cavado e Monçao e Melgaço, com mínima intervenção e ênfase na sustentabilidade. Recebeu medalhas nas competições mais exigentes, tais como Mundus Vini, AWC Vienna, Sakura, Berliner Wine Trophy, International Wine and Spirits Competition ou Decanter World Wine Award.

De Matos repassa com orgulho algumas metas da casa: "Quinta de Paços obteve muitos reconhecimentos. Foi premiada pela primeira vez em 1876 em Estados Unidos e depois em 1888 em Alemanha", explica. Entre as uvas que se utilizam para os brancos figuram Loureiro, Arinto, Fernão Pires, Alvarinho, Moscatel Galego Branco, Trajadura e Sauvignon Blanc.

Vercoope, a força da cooperativa

Vercoope é uma exclusividade dentro do ecossistema dos vinhos verdes. Trata-se de uma cooperativa fundada em 1964 que está focada no volume: vendem 10 milhões de garrafas por ano, e 30% exporta-se a 40 países de cinco continentes. "E entre esses países não está Espanha", conta a este meio um representante da empresa, com um sorriso.

Os seus vinhos são económicos, adaptados às tendências de consumo atuais. Por exemplo, Via Latina Escolha Branco (2,90 euros) tem 11% de álcool, uma suave efervescencia típica dos vinhos verdes e destaca-se pelos seus aromas a frutos cítricos como o limão, a lima e a tangerina.