Depois de anos de encarecimiento ininterrumpido, a cesta de compra-a segue sem dar trégua ao consumidor: o preço dos alimentos poderia subir um 11,6% neste ano e outro 4,6% em 2027. Assim o reflete um relatório da companhia de seguros Crédito e Caución, que aponta à incerteza geopolítica e as repercussões da mudança climática como principais causas.
Num relatório elaborado por esta seguradora detalha-se que o fechamento do estreito de Ormuz já tem provocado um aumento dos preços da energia e dos fertilizantes, o que repercute directamente no encarecimiento dos alimentos.
A guerra em Ucrânia passa factura
Assim mesmo, a escalada do conflito em Ucrânia, com ataques a portos, terminais de ónus e navios, tem provocado uma interrupção das exportações de cereais da região e reduzido os volumes comerciais. Ao mesmo tempo, os ataques contra refinarias e infra-estruturas de exportação russas estão a impulsionar ao alça os preços mundiais dos produtos petrolíferos e os fertilizantes.
Com respeito aos factores climáticos, o relatório prevê que as temperaturas extremas deste verão reduzam o rendimento dos cultivos e a produção agrícola em Estados Unidos e Europa. Ademais, um fenómeno do Menino intenso poderia perturbar ainda mais o comércio agrícola mundial ao reduzir as colheitas.
O problema do consumo de energia
Por outra parte, a produção alimentar em Europa consume muita energia, sobretudo nos processos de referigeração, calefacção e processamento, o que agrava os reptos já existentes. Entre esses reptos, a análise cita os elevados custos trabalhistas, o ónus normativos e a limitada capacidade para fixar preços, o que "dificulta repercutir o aumento dos custos, especialmente num meio varejista altamente competitivo e dominado por grandes operadores".
O horizonte, em definitiva, não é esperanzador. Com a bofetada inflacionária de 2023, o consumidor adoptou a marca branca para tratar de frear a perda de poder adquisitivo e reajustó o consumo doméstico. Depois de anos de tensão para as famílias, um forte repunte poderia ter consequências devastadoras.
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