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O DIA gaba-se de ter produtos locais, mas as suas prateleiras mostram uma realidade diferente

A cadeia afirma que 96% das suas compras são nacionais, mas a loja está repleta de frutas e legumes importados, mesmo em categorias com grande produção espanhola.

Bananas de origem não especificada nas prateleiras de um supermercado Dia / CONSUMIDOR GLOBAL

A cadeia de supermercados Dia difundiu há umas semanas uma nota de imprensa na qual  reivindicava o seu compromisso com "uma cadeia de valor alimentar próxima e sustentável". Nesse comunicado, a empresa assegurava que "96% das suas compras se realizam a fornecedores nacionais", uma cifra destinada a reforçar a imagem de proximidade que a cadeia quer projectar. No entanto, o que sucede nas suas lojas nem sempre encaixa com essa mensagem corporativa.

Um percurso por vários estabelecimentos Dia mostra uma presença destacada de frutas e legumes importadas. Nos lineares encontraram-se ananás procedentes de Panamá, tangerinas de África do Sul, melancia e melão de Brasil, kiwis de Nova Zelândia, mirtilos e morangos de Marrocos, abacates de Peru e Colômbia, espargos de México, batatas de França e maçãs e tomates de Portugal, entre outros. Esta ampla variedade de origens internacionais contrasta com a imagem de proximidade e produto "local" que a empresa descreve no seu comunicado.

Importações de produtos com origem em Espanha

A situação surpreende especialmente no caso de produtos que contam com uma forte implantação e tradição produtiva em Espanha. Batatas, tomates, maçãs ou tangerinas —todas elas cultivadas de forma extensiva em diferentes regiões espanholas— apareciam nalguns estabelecimentos com etiquetas de origem estrangeira.

Embora a sazonalidade possa justificar certas importações, estas frutas e produtos hortícolas fazem parte do núcleo duro do sector hortofrutícola nacional e estão disponíveis durante uma boa parte do ano.

 

Questionado sobre esta aparente contradição, o departamento de imprensa da cadeia limitou-se a indicar que o Dia adquire 96% das suas compras a “fornecedores nacionais”, que os abastecem com “produtos locais ou de outras origens, em função da sazonalidade da produção”. No entanto, a resposta não esclarece como é que esta percentagem é compatível com a grande presença de produtos estrangeiros, nem qual é o peso real dos produtos espanhóis em relação aos produtos importados dentro de cada categoria.

A mensagem da empresa também não especifica se estes 96% se referem ao número de fornecedores, ao volume económico total das compras ou à origem dos intermediários - que podem ser empresas espanholas que comercializam produtos estrangeiros -. 

Por agora, Dia mantém a sua mensagem, ainda que os cartazes de origem continuam a assinalar mais mundo que quilómetro zero.