José Antonio, dono do Restaurante em Ceuta: "A sobremesa no terraço tem desaparecido"

O proprietário desta casa de comidas de Ceuta revela a drástica mudança de comportamento de seus clientes pela crise humanitária

José Antonio Merino en su restaurante de Ceuta CEDIDA
José Antonio Merino en su restaurante de Ceuta CEDIDA

José Antonio Merino e María do Mar Martínez regentan O Restaurante, uma casa de comidas localizada na praça de África, em frente à Prefeitura de Ceuta.

Sem esquecer as raízes locais, O Restaurante oferece desde um revuelto de chipirones com ajetes até um rape em centollo ou seus famosos carabineros com ovos e batatas panaderas. Cozinha marinera com o toque distintivo de María, a chefa dos fogones. Falamos com seu marido, José Antonio, quem explica como tem afectado a seu negócio a crise humanitária que vive Ceuta desde o passado 30 de julho.

--Como vai o negócio?

--A verdade é que a situação se está a fazer notar muitíssimo na hotelaria e, em nosso caso, estamos a ver uma queda de ao redor de 70% nas vendas com respeito ao que costuma ser habitual nestas datas. Para além das cifras, o que mais estamos a notar é uma mudança no comportamento dos clientes.

--A que se refere?

--Dantes, especialmente pelas noites, era habitual que a gente cenara tranquilamente no terraço, pedisse algum postre, copas e ficasse de sobremesa.

La sala principal de El Restaurante de Ceuta con el carrito de las bebidas / CEDIDA
A sala principal do Restaurante de Ceuta com o carrito das bebidas / CEDIDA

--Agora já não fazem sobremesa?

--Agora isso praticamente tem desaparecido. Muitos clientes terminam de cenar, pedem o postre e directamente solicitam a conta para marchar-se.

--Por que?

--Percebe-se que a gente está mais preocupada, mais pendente da situação e com menos vontades de permanecer na rua durante horas.

--Sua proposta gastronómica e seu terraço convidam a viver uma experiência repousada.

--Claro. Por isso, o novo comportamento dos comensales se nota muitíssimo num restaurante como o nosso. Não é somente que vingam menos pessoas, sina que também se reduziu o consumo por mesa e o tempo que permanecem no local.

--Também ficaram sem a Feira de Ceuta…

--À situação geral suma-se a cancelamento das Festas Patronales, que para os restaurantes e para muitos negócios de Ceuta supõem uma parte importantíssima da actividade do verão. Neste ano temos perdido também todo esse movimento que normalmente geram a Feira e seus dias prévios.

--Como vê o futuro em curto prazo?

--Apesar da situação, somos pessoas muito positivas e temos a esperança de que, mais temporão que tarde, voltemos à normalidade todos os ceutíes, e, sobretudo, à tranquilidade. Sem esquecer-nos de nossos paisanos que nos estão a apoiar desde o minuto um ao outro lado do estreito. Esperamos que voltem a depositar sua confiança em nós e vingam a nos visitar.

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