Óscar Ponte, depois de várias jornadas de caos: "A puta Renfe não tem a mais mínima culpa"

O ministro de Transportes lamenta que se responsabilize à operadora pública por incidências provocadas por temporais ou causas alheias

  El ministro de Transportes y Movilidad Sostenible, Óscar Puente   Fernando Villar   EFE
El ministro de Transportes y Movilidad Sostenible, Óscar Puente Fernando Villar EFE

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Óscar Ponte, ministro de Transportes e Mobilidade Sustentável, tem saído ao passo das contínuas críticas para o sistema ferroviário espanhol depois dos graves atrasos sofridos nas principais linhas de alta velocidade do país.

"Dói-me porque todo mundo mete tudo no mesmo saco, isto é, há um incêndio ao lado das vias e há que parar o serviço, a puta Renfe; há uma incidência deste tipo, a puta Renfe. A puta Renfe muitas vezes não tem a mais mínima culpa", tem lamentado Ponte durante uma entrevista concedida nesta quinta-feira a Rádio Nacional de Espanha (RNE).

Um raio obriga a cortar a alta velocidade entre Madri e Barcelona

Ponte referiu-se, em primeiro lugar, aos problemas registados em Cataluña. Segundo tem explicado, um temporal "tremendo" provocou a queda de um raio sobre uma catenaria e obrigou a deter durante várias horas o tráfico ferroviário da linha de alta velocidade entre Madri e Barcelona.

A isso se somaram os problemas registados em Madri. Ponte tem explicado que, na zona de Fuencarral, umas obras realizadas junto a uma oficina ferroviária e à saída dos comboios provocaram uma fuga de gás após que alguém tocasse uma condução. "Produziu-se uma grande fuga de gás, foram os bombeiros e tivemos que parar", tem relatado o ministro. "E isto passa todos os dias", tem acrescentado.

Un tren AVE de Renfe / EUROPA PRESS
Um comboio AVE de Renfe / EUROPA PRESS

Ponte: "O sistema ferroviário é muito sensível"

O titular de Transportes tem fazer# questão de que o caminho-de-ferro é especialmente sensível a qualquer incidência que se produza em seu meio. A diferença de outros meios de transporte, um problema pontual numa infra-estrutura pode ter consequências sobre numerosos comboios e viajantes. "É um sistema muito sensível", tem defendido Ponte.

Para contextualizar o nível de exigência e crítica que existe em Espanha em frente a outros países, Ponte recordou o recente colapso do espaço aéreo no Reino Unido, que manteve os voos suspendidos em sua totalidade durante várias horas. "Eu dizia no outro dia, Deus meu, se nos passa isto em Espanha a avaria leva o nome de Óscar Ponte porque isto é o que passa em nosso país", tem assinalado.

A crise de confiança passa factura à alta velocidade

Para além do debate sobre a culpabilidad, a realidade é que este torque de incidências e a percepção generalizada de mau funcionamento estão a erosionar a confiança dos cidadãos na rede ferroviária. Este desgaste já se traduz em cifras: o uso do caminho-de-ferro acumula uma queda de 13,4% até o mês de julho, um retrocesso fortemente lastrado pelo batacazo nas linhas de alta velocidade.

O repto imediato de Transportes será reverter esta imagem pública, tentando separar a marca "Renfe" daquelas incidências inevitáveis num sistema de transporte tão extenso e complexo.

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