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Massa italiana gourmet: em que se nota (e se paga) a diferença?

Este plato universal converteu-se num dos grandes protagonistas em Espanha mas a diferença de custos entre marcas se dispara mais de 900%

Ana Siles

espagueti

É falar dela e os amantes da comida italiana começam a salivar. A massa é um dos platos estrelas em Espanha. Macarrones, espaguetis, tallarines, lasañas e uma longa listagem de massas constroem uma cultura gastronómica que conquista paladares.

A cada vez há mais marcas de massas que enchem as estanterías de supermercados. Também há umas amplas diferenças de preços entre elas. Por isso, a pergunta que cabe se fazer é se vale a pena pagar mais por este produto.

Comparativa de preços

A oferta em massa é muito amplia, de modo que Consumidor Global centrou-se nos macarrones, um básico de qualquer lar. A diferença de preço deste produto multiplica-se mais de dez vezes em função da marca, o que equivale a um 963%.

Marca Supermercado Preço (euros) Formato Preço (euros)/quilo
O Corte Inglês O Corte Inglês 1,41 1kg 1,41
Galo O Corte Inglês 1,39 450g 3,09
Barilla O Corte Inglês 1,65 500g 3,30
Garofalo O Corte Inglês 1,85 500g 3,70
Martelli O Corte Inglês Clube Gourmet 7,50 500g 15,00

Tomando como refere o supermercado O Corte Inglês, se observa que o quilo de massa da marca branca custa 1,41 euros. Uma cifra que ascende a 3,09 em massas Galo. 3,30 e 3,70 euros é o preço por quilo que registam Barilla e Garofalo, respectivamente. Mas, a medalha de ouro é para Martelli. A assinatura gourmet vende suas macarrones a 15 euros o quilo.

Prioridade à qualidade

São muitos os factores que determinam o preço final dos macarrones. Paco Lorente, consultor de marketing, destaca a Consumidor Global a relevância do processo de elaboração.

Em frente às fabricações industriais que costumam realizar as marcas brancas, outras priorizan a qualidade dos ingredientes ou o método artesão. "Os consumidores estão a dar-lhe muita importância àquilo que comem. Neste caso, sim que vão eleger produtos com uma maior qualidade", sustenta Lorente.

O selo italiano e o 'packaging'

Outro ponto finque recae na origem da massa. Assim o explica a este meio Francisco Torreblanca, consultor e professor de estratégia e inovação. O facto de que o produto contenha o selo italiano, automaticamente encarece seu preço.

Uma pessoa cozinha massa ao dêem-te / FREEPIK

À procedência, há que somar o envoltorio. Longe das embalagens de plástico brilhantes das marcas brancas, as assinaturas mais sibaritas optam por embalajes de cartón, mates e de cores escuras. "Estes elementos o que fazem é elevar a qualidade percebida do produto", justifica Lorente.

O papel das redes sociais

As redes sociais também jogam um papel importante na diferença de preços entre marcas. Lorente põe o foco nos vídeos sobre receitas e truques para cozinhar massa que circulam por TikTok ou Instagram.

"Empurram ao consumidor a provar coisas diferentes. E nesse processo, obviamente vamos-nos a decantar por marcas novas, que tenham um packaging atraente, que tenham um selo de qualidade…", enfatiza o consultor.

Trigo duro italiano

Para além de todos os factores anteriores, há um que não pode falhar para justificar a diferença de preços. A qualidade dos ingredientes não tem discussão. Um terreno no que as marcas gourmets não têm concorrência. "Costumam usar o trigo duro italiano", confirma Torreblanca.

Massa fina de trigo duro italiano / PEXELS
 

Das cinco marcas recolhidas neste artigo, todas usam trigo duro mas só uma recorre ao italiano. Essa é Martelli, a mais cara de todas. Torreblanca explica que a tendência em Espanha é usar trigo duro de importação. "É de diferente qualidade, é mais em massa e não tem as características nem organolépticas do trigo duro italiano", acrescenta o experiente.

Vale a pena?

Parece claro que sim vale a pena pagar por massa gourmet. Mas não por qualquer. A chave é fixar na origem dessa massa, seus ingredientes e o processo de secado. Só assim, o consumidor poderá evitar que lhe dêem gato por lebre. Garofalo ou Barilla poderiam ser umas alternativas melhores às marcas brancas. Os macarrones de Martelli, a 15 euros o quilo, reservam-se para os bolsos mais ricos.

Em qualquer caso, em Espanha ainda se segue priorizando quantidade em frente a qualidade no que a massa se refere. Assim o explica Torreblanca. "Aqui falta-nos a cultura de cuidar o produto e não pensar que é algo convencional. O consumidor tem que ter o gosto de comprar a massa e da cozinhar", limpa.