É falar dela e os amantes da comida italiana começam a salivar. A massa é um dos platos estrelas em Espanha. Macarrones, espaguetis, tallarines, lasañas e uma longa listagem de massas constroem uma cultura gastronómica que conquista paladares.
A cada vez há mais marcas de massas que enchem as estanterías de supermercados. Também há umas amplas diferenças de preços entre elas. Por isso, a pergunta que cabe se fazer é se vale a pena pagar mais por este produto.
Comparativa de preços
A oferta em massa é muito amplia, de modo que Consumidor Global centrou-se nos macarrones, um básico de qualquer lar. A diferença de preço deste produto multiplica-se mais de dez vezes em função da marca, o que equivale a um 963%.
| Marca | Supermercado | Preço (euros) | Formato | Preço (euros)/quilo |
| O Corte Inglês | O Corte Inglês | 1,41 | 1kg | 1,41 |
| Galo | O Corte Inglês | 1,39 | 450g | 3,09 |
| Barilla | O Corte Inglês | 1,65 | 500g | 3,30 |
| Garofalo | O Corte Inglês | 1,85 | 500g | 3,70 |
| Martelli | O Corte Inglês Clube Gourmet | 7,50 | 500g | 15,00 |
Tomando como refere o supermercado O Corte Inglês, se observa que o quilo de massa da marca branca custa 1,41 euros. Uma cifra que ascende a 3,09 em massas Galo. 3,30 e 3,70 euros é o preço por quilo que registam Barilla e Garofalo, respectivamente. Mas, a medalha de ouro é para Martelli. A assinatura gourmet vende suas macarrones a 15 euros o quilo.
Prioridade à qualidade
São muitos os factores que determinam o preço final dos macarrones. Paco Lorente, consultor de marketing, destaca a Consumidor Global a relevância do processo de elaboração.
Em frente às fabricações industriais que costumam realizar as marcas brancas, outras priorizan a qualidade dos ingredientes ou o método artesão. "Os consumidores estão a dar-lhe muita importância àquilo que comem. Neste caso, sim que vão eleger produtos com uma maior qualidade", sustenta Lorente.
O selo italiano e o 'packaging'
Outro ponto finque recae na origem da massa. Assim o explica a este meio Francisco Torreblanca, consultor e professor de estratégia e inovação. O facto de que o produto contenha o selo italiano, automaticamente encarece seu preço.
À procedência, há que somar o envoltorio. Longe das embalagens de plástico brilhantes das marcas brancas, as assinaturas mais sibaritas optam por embalajes de cartón, mates e de cores escuras. "Estes elementos o que fazem é elevar a qualidade percebida do produto", justifica Lorente.
O papel das redes sociais
As redes sociais também jogam um papel importante na diferença de preços entre marcas. Lorente põe o foco nos vídeos sobre receitas e truques para cozinhar massa que circulam por TikTok ou Instagram.
"Empurram ao consumidor a provar coisas diferentes. E nesse processo, obviamente vamos-nos a decantar por marcas novas, que tenham um packaging atraente, que tenham um selo de qualidade…", enfatiza o consultor.
Trigo duro italiano
Para além de todos os factores anteriores, há um que não pode falhar para justificar a diferença de preços. A qualidade dos ingredientes não tem discussão. Um terreno no que as marcas gourmets não têm concorrência. "Costumam usar o trigo duro italiano", confirma Torreblanca.
Das cinco marcas recolhidas neste artigo, todas usam trigo duro mas só uma recorre ao italiano. Essa é Martelli, a mais cara de todas. Torreblanca explica que a tendência em Espanha é usar trigo duro de importação. "É de diferente qualidade, é mais em massa e não tem as características nem organolépticas do trigo duro italiano", acrescenta o experiente.
Vale a pena?
Parece claro que sim vale a pena pagar por massa gourmet. Mas não por qualquer. A chave é fixar na origem dessa massa, seus ingredientes e o processo de secado. Só assim, o consumidor poderá evitar que lhe dêem gato por lebre. Garofalo ou Barilla poderiam ser umas alternativas melhores às marcas brancas. Os macarrones de Martelli, a 15 euros o quilo, reservam-se para os bolsos mais ricos.
Em qualquer caso, em Espanha ainda se segue priorizando quantidade em frente a qualidade no que a massa se refere. Assim o explica Torreblanca. "Aqui falta-nos a cultura de cuidar o produto e não pensar que é algo convencional. O consumidor tem que ter o gosto de comprar a massa e da cozinhar", limpa.