Polémica com a origem nas sardinas Cuca: como interpretar a letra pequena da bata

Em redes sociais, alguns consumidores têm mostrado seu mal-estar pela procedência real dos alimentos que comercializa uma marca com tanto arraigo

Lata de sardinas   MAGNIFIC
Lata de sardinas MAGNIFIC

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Cuca é uma das marcas de conservas de pescado (sardinas, anchoas, mejillones, atum…) mais populares, reconhecidas e de maior tradição em Espanha. Pertence ao grupo conservero Bolton Food, proprietário também da marca Isabel, o que lhe outorga uma distribuição em massa em praticamente qualquer supermercado ou grande superfície do país.

Apesar de seu bom posicionamento, nas últimas semanas alguns consumidores têm feito patente sua surpresa e irritação com Cuca pela procedência real de determinados alimentos comercializados. A raiz da crise de Ceuta, as exigências de transparência no etiquetado e o debate sobre a soberania alimentar acentuaram-se, e vários utentes têm criticado em redes sociais que algumas batas de sardinas Cuca reflitam que o produto procede de Marrocos.

Cuca presume de seus métodos tradicionais

"Em Conservas Cuca levamos mais de 90 anos seleccionando cuidadosamente produtos de primerísima qualidade e utilizando métodos tradicionais para fazer nossas conservas de marisco e pescado com um sabor único e extraordinário", explica a companhia em sua página site.

Una lata de sardinas (1)
Uma bata de sardinas / CUCA

"Isto o conseguimos graças a nossa rigorosa selecção de produtos (pescados ao alva, mariscados a mão); à fidelidade ao método tradicional, só com produtos frescos e naturais, sem conservantes, nem colorantes; às receitas centenarias e inovadoras, directamente das mãos de nossos Maestros Conserveros; e à manutenção do nível mais alto de qualidade, desde o Mar até tua mesa. Graças por preferir-nos", realçam.

De Galiza a Marrocos

Assim, um consumidor poderia pensar que ao adquirir uma bata de uma assinatura centenaria nascida em Galiza está a consumir produto capturado na costa espanhola e processado integralmente no país. No entanto, a realidade difere. Se uma bata mostra a bandeira de um país ou o texto "Produzido em Espanha", o regulamento europeu (Regulamento UE 1169/2011) exige que se indique a origem do ingrediente primário se este é diferente ao lugar de elaboração. Algumas marcas incluem o código FAO de forma voluntária como uma ferramenta de transparência, mas não todas o fazem.

Marrocos, tal e como detalha num documento a Associação Nacional de Fabricantes de Conservas e Produtos Transformados de Pescados e Mariscos (ANFACO-CYTMA), contribui entre o 64% e o 94% de todas as importações espanholas de sardina congelada, equivalentes a 27.400 toneladas só entre janeiro e outubro de 2025. O país norteafricano, de facto, é o primeiro produtor e exportador mundial de conserva de sardinas.

Sardinas / PEXELS
Sardinas / PEXELS

Embalado no país vizinho

A princípios de setembro, o tuit de um utente que mostrava uma bata de sardinas Cuca não demorou em se fazer viral, superando o milhar de interacções. Tal e como mostrava o autor da publicação, o alimento é "embalado em Marrocos".

"Tenho estado anos comprando sardinas em azeite de Cuca porque eram galegas, de ano e meio a esta parte já só encontro embaladas em Marrocos. Tenho deixado de comprar, nem sequer o azeite é como o de dantes, é muito complicado encontrar produto nacional", respondia outro consumidor na rede social X.

"Que decepção"

"Que decepção. E fazei-lo também com o resto de produtos que tendes baixo vossa marca?", perguntava-se um terceiro. Um quarto consumidor mostrava-se mais indulgente: "Muitas vezes são conservas espanholas e embaladas em Marrocos para que lhes saia mais barato. Não é tão fácil. Nossos empresários têm tantos impostos que se o fizessem embaladas Espanha sair-lhes-ia carísimo e não comprá-lo-íamos".

O aspecto de bata-a, como o de qualquer produto de grande consumo, resulta relevante e revelador. Neste caso, o nome da marca, Cuca, aparece destacado na parte frontal com letras grandes de cor negra e borda dourada. No canto superior direita lê-se "Desde 1932". Destaca também a imagem de uma sardina acompanhada de duas azeitonas verdes completas com uma folha. Ao fundo distingue-se um desenho em tons sepia que mostra barcos pesqueiros e uma fábrica costera tradicional com o nome da empresa.

Conservas de pescado
Conservas de pescado / PEXELS

Cuca guarda silêncio

Este meio pôs-se em contacto com Cuca e com a patronal conservera ANFACO-CECOPESCA para aclarar se Marrocos é hoje seu principal provedor de sardinas.

Ao termo desta reportagem, não tem obtido resposta.

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