Fazendo scroll em Instagram ou TikTok é fácil topar-se com um desses vídeos hipnóticos nos que umas mãos masajean o couro cabelludo enquanto cai água a modo de cascata. A reacção costuma ser imediata: "preciso isto". O que faz mal uns anos era uma prática sócia sobretudo a países asiáticos como Chinesa, Japão ou Coreia, se converteu na actualidade numa das tendências de bem-estar com mais tirón em Espanha, impulsionada em grande parte pelas redes sociais e por um consumidor a cada vez mais virado no autocuidado.
Aí é onde aparece Japanese Head Spa, a primeira corrente em introduzir masajes capilares japoneses em nosso país. Sua fundadora, Aída García, descobriu o negócio numa feira de Miami em outubro de 2023 e teve claro que funcionaria. "Fiquei impactada e soube que seria um boom", recorda durante a entrevista com Consumidor Global. Mal três anos após abrir seu primeiro centro wellness em Málaga, a companhia supera os 10 milhões de euros de facturação, está presente a onze países e prepara já seu desembarco em Estados Unidos.
--Imaginavas este crescimento tão rápido em tuas origens?
--A verdade é que não. Quando fundei Japanese Head Spa, a ideia era trazer o spa capilar japonês a Espanha. Pouco a pouco fomos crescendo, a agenda estava praticamente enche desde o princípio. Temos crescido tão rápido porque o próprio produto requereu-o.
--As redes sociais, especialmente TikTok e Instagram, parecem ter sido chaves em vossa popularidade. Que papel têm jogado realmente na expansão da marca?
--Acho que um papel súper importante. Actualmente, qualquer produto tem a capacidade de viralizarse muito rápido e nós tínhamos as ferramentas perfeitas para que assim fosse. Quando descobri o negócio em Miami, me começaram a sair em TikTok um montão de vídeos de Japão, de Coreia, de Arábia Saudita, sobre estes tratamentos. Nos comentários, a gente perguntava 'Quando em Valencia, em Málaga ou em Madri?', de modo que pensei: 'se já temos o cliente, que é o mais difícil, temos praticamente o 50% do trabalho feito'. Uma percentagem muito alta do sucesso tem sido graças às redes sociais.
--Para além da viralidad e do marketing, que achas que tem Japanese Head Spa para ligar tanto com o consumidor atual?
--Escutamos muitíssimo aos consumidores. Para nós a cada reseña, a cada encuesta de satisfação é primordial e nos tivemos que adaptar, não tem sido fácil. Ao princípio não conseguíamos penetrar bem no mercado porque o cliente esperava outra coisa do tratamento. Nós o trouxemos tal qual se faz em Japão, que ao final não deixa de ser uma lavagem de cabelo. Em mudança, o utente espanhol o que queria era um masaje. Tivemos-nos que adaptar muito e criar um protocolo que não deixe de lado a cultura japonesa mas que ao mesmo tempo ajude ao consumidor a cumprir suas expectativas, que é o mais difícil.
--Por que achas que o consumidor procura a cada vez mais serviços de bem-estar?
--Após o covid mudou muito a mentalidade das pessoas. Fala-se mais da saúde mental, do bem-estar interno e externo e poder apagar o móvel e centrar-te em ti e estar relaxado. Hoje em dia já não é um luxo. Há pessoas que priorizan isto dantes que outras maneiras de lazer. Temos colocado o bem-estar num ponto importantíssimo dentro da escala de nossas necessidades que dantes da pandemia não tínhamos.
--Agora tendes incorporado também uma linha de masajes do mundo, qual é sua finalidade?
--A finalidade é trazer a Espanha o mais inovador que tenha em mercados estrangeiros, tanto asiáticos como de outras zonas do mundo. Somos a primeira companhia européia que materializa o masaje do chá matcha. Sim que há produtos cosméticos de matcha mas o masaje me pareceu uma combinação perfeita. Depois temos o masaje com jengibre, inspirado na medicina tradicional chinesa. O de chocolate Dubái é o mais doce e o que deixa a pele mais exfoliada e hidratada. A finalidade é trazer a Espanha esses masajes de diferentes países relacionados com um alimento que permita às pessoas ter novas experiências, que é o que todo mundo quer agora mesmo.
--Tendes notado diferenças entre o consumidor espanhol e o de outros países nos que já estais presentes?
--Sim. Dentro de Europa não há tanta diferença. Estamos em Espanha, Portugal, França e Itália. Em Latinoamérica sim temos-nos que adaptar muito. O cliente argentino não tanto faz que o mexicano ou o equatoriano e também não os tipos de cabelo das mulheres são os mesmos.
--Num momento no que proliferan os negócios unidos ao bem-estar, fidelizar ao cliente parece quase missão impossível, não crê?
--É complicado. Este 2026, nós estamos a trabalhar em nossa taxa de recurrencia. Por isso a parte dos masajes do mundo é importantíssimo, oferecemos um passaporte que é uma espécie de membresía. Assim, o cliente que vá provar o masaje de matcha, pode voltar ao mês seguinte a provar o de jengibre e poder ir criando essa recurrencia do consumidor.
--A começos de ano comentastes vossa intenção de desembarcar em Estados Unidos. Tendes dado já esse passo?
--Está a ser muito emocionante e estamos em isso. Nosso objectivo segue sendo terminar no ano com três localizações: Los Angeles, Miami e Nova York. A Estados Unidos há que lhe ter o respeito que se merece no mundo da franquia. Estamos com muitíssimos preparativos a nível legal porque ali sim que existe a lei da franquia. Somente há quatro países no mundo que a têm: Itália, Arábia Saudita, Estados Unidos e México. Quando entras a um destes países não é tão fácil como chegar a outros que não a têm. A estadounidense é uma lei muito dura e severa.
--Qual é o principal repto de levar uma franquia na que as linhas gerais devem ser iguais?
--Justamente isso, manter a imagem corporativa e os protocolos da empresa na cada um dos países. Consegue-se com muita comunicação de equipa. Muita comunicação entre Espanha e o resto de países para que todo o que fazemos aqui se replique exactamente igual. Estamos a ter um crescimento muito forte mas também muito consciente. Isto é, nós, por exemplo, chegamos a um país como Argentina e até que não vemos que o spa de Córdoba funciona, não vendemos Buenos Aires ou Mar do Prata. Estamos em muitos países, mas somos muito cautos e deixamos uma margem de seis meses para realmente ver que o negócio pode chegar a funcionar.
--Após esta expansão tão acelerada, quais são os próximos reptos e objectivos para os próximos anos?
--Queremos trabalhar muito no que é a experiência, continuar desenvolvendo os masajes do mundo para seguir abrindo países e criar novidades que é o que mais chama a atenção. A nível internacional, nosso objectivo é abrir mercado em África. Marrocos poderia ser a porta primeiramente com duas spas. Também gostaríamos de chegar a Ásia, ainda que obviamente será um repto maior porque nós vamos levar algo que já leva muitos anos ali. Estamos em isso.
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