Carrefour e o falso produto de proximidade
Um supermercado da empresa francesa, situado em Gandía, foi alvo esta semana de uma enxurrada de críticas por vender batata-doce dos Estados Unidos como se fosse espanhola
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Poucas coisas irritam mais o consumidor do que se sentir enganado. E isso ocorre, cada vez com mais frequência, com os produtos de proximidade nos supermercados. A origem nacional converteu-se numa potente afirmação comercial mas algumas cadeias de distribnuição parecem mais interessadas em explorar essa imagem que em a cumprir.
Um dos casos mais recentes foi o de Carrefour. A empresa provocou a irritação da sia clientela por vender batata-doce procedente dos Estados Unidos etiquetada como se fosse espanhola. Ainda que a empresa assegura que se trata de um "erro pontual", a verdade é que este tipo de falhas prejudicam a confiança do consumidor.
O problema é que não se trata de um caso isolado. Muitas cadeias de distribuição têm convertido o apoio ao produto nacional numa estratégia de marketing enquanto os seus lineares revelam uma origem diferente. Dia afirma constantemente de apostar em fornecedores espanhóis, ainda que boa parte das frutas e legumes que comercializa chegam do estrangeiro. Lidl também teve que rectificar após etiquetar uns mirtilos peruanos como se fossem espanhóis, outra falha que a empresa atribuiu igualmente a um "erro pontual".
Ademais, muitos consumidores queixam-se de que pagam a preço espanhol o que em realidade não o é. A questão de fundo não é só a origem de uma batata-doce ou de uns mirtilos. É a sensação de que alguns supermercados brincam com a confiança (e o dinheiro) do consumidor porque sabem que o produto de proximidade vende. E quando os "erros pontuas" se repetem demasiado, começa a parecer uma fraude e uma prática difícil de justificar.
