De onde vem o arroz que consumes? A entrada de um barco com 17.000 toneladas acordada críticas
A União Extremadura denúncia que as indústrias envasadoras estão a comprar o arroz sem imposto de países terceiros com o ânimo de afundar mais o preço da arroz nacional
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O arroz faz parte da dieta mediterránea e em Espanha se erige como um pilar culinario. Ainda que o imaginário coletivo costuma situar este arraigo na Comunidade de Valencia, a realidade é que o mapa do cultivo e o consumo deste cereal é bem mais amplo e diverso. Extremadura é a segunda comunidade autónoma produtora de arroz de todo o país, só superada em volume de colheita por Andaluzia.
Apesar de que a produção em Espanha é muito destacada, dos 170 milhões de kilogramos de arroz que se consomem anualmente no país, para perto de 70 milhões (isto é, mais de 40%) procedem do estrangeiro.
Entrada em massa de arroz importado
Desde a entrada em vigor do acordo comercial da União Européia com Mercosul (que ainda não tem sido ratificado pelo Parlamento Europeu), os agricultores vêm alertando da concorrência desleal e a perda de rentabilidade do produto nacional, devido à entrada em massa de arroz importado com regulares de exigência mais baixos.

Agora, a organização agrária A União Extremadura tem assinalado que a entrada, o passado 28 de maio no porto de Valencia, de um barco com procedência de Argentina carregado com 17.000 toneladas de arroz "sem imposto" vai afundar " mais o mercado nacional".
"Afundar mais o preço da arroz nacional"
A entidade denuncia que este arroz, comprado pela empresa Herba Ricemills, entra no país enquanto há "uma parte importante do arroz extremeño sem vender". "As indústrias envasadoras de arroz de Espanha estão a comprar o arroz sem imposto de países terceiros com o ânimo de afundar mais o preço do arroz nacional", critica A União numa nota de imprensa.
A organização sublinha que a entrada em vigor provisório do acordo comercial se produziu com o voto favorável do Partido Popular e do Partido Socialista, e pergunta a ambas formações "que medidas vão tomar para evitar a ruína dos produtores de arroz".

Críticas a outras entidades
Assim mesmo, reprocha a algumas organizações, como UPA, que em seu dia afirmaram que este acordo "abre um horizonte de oportunidade e reforça a protecção do sector em frente às perturbações".
A julgamento dA União, os produtores extremeños terão que vender a colheita do ano passado "à metade" do que lhes custa o produzir.
