Jordi Codony, diretor de Textura: "Não podemos ter a mesma roupa de cama durante 15 anos"
Entrevistamos ao CEO da empresa têxtil catalã para analisar a actualidade do sector de roupa para o lar e como a assinatura está a transformar suas lojas
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Textura, nascida em setenta, inicia uma nova etapa com a transformação de algumas de suas mais de 70 lojas em Espanha...
--Que supõe para uma empresa histórica como Textura a transformação de suas lojas?
--Em realidade, supõe um passo mais na evolução da companhia. Muitas lojas de Textura seguem tendo o mesmo DNA das origens. A empresa tem passado por diversas mãos e grande parte do DNA mantém-se. Mas o mundo, a sociedade, as pessoas e o retail evoluem, e o que pomos em valor com a transformação é acercar ao cliente, uma melhor exposição de produto e melhorar a experiência de cliente. Ajuda-nos a transmitir melhor o quem somos.
--Pode-se falar de uma nova etapa?
--Como te dizia, não é uma revolução, é uma evolução. É uma nova etapa nas lojas, porque muda a forma de relacionar com nossos clientes ali onde temos podido as transformar. O produto luze mais. Há menos ónus de produto e a roupa está melhor exposta. De facto, muitos clientes dizem-nos que temos ampliado muito a faixa, e em realidade expomos menos prendas.

--Que parte do DNA se mantém?
--Resumi-lo-ia em quatro factores. Textura baseia-se em sua know-how, no conhecimento do produto, e no assessoramento, quase de interiorismo, aos clientes. O estilo slow design, com produtos que sejam sustentáveis não só porque estão bem factos e se podem reciclar, sina porque aguentam o uso, não cansam e podem durar muito tempo. Não vamos ao extremo do último estampado, apostamos pelo slow design com materiais naturais. De facto, huímos dos materiais artificiais. Procuramos que os produtos gerem bem-estar ao cliente. O como estão construídos, com algodão orgânico, natural, lino ou bambú para que contribuam um maior bem-estar ao cliente, também é parte do DNA. Mantêm-se os valores.
--Qual é a vida útil de vossas roupas de cama e lar?
--A gente quiçá usa-as 10, 15 ou 20 anos, mas, a nível técnico, se vemos a quantidade de ácaros que acumula uma prenda, que muitas vezes não nos damos conta, a vida útil de nossas prendas não deveria ultrapassar os três ou quatro anos, para as que se usam menos, e um ou dois anos para as que se usam muito.
--Pensava que era bem mais longa…
--O cuidado também é importante. A cada quanto as lavamos? A gente dizer-te-á a cada 15 dias ou inclusive uma vez ao mês. Mas funda-las de almohada, por exemplo, há que as lavar a cada dois ou três dias. Não podemos ter a mesma roupa de cama durante 15 anos e temos que a lavar bem mais. Temos muita comunicação com clientes sobre como usar a cada prenda, a cada roupa de cama.
--Em que aspectos se tem focalizado Textura para remontar o voo? Na cercania com o cliente?
--Sem dúvida, em como atendemos e asesoramos ao cliente. Em solucionar seus problemas e falar de bem-estar. Temos feito muitas mudanças em loja referentes ao estoque e às previsões de compra mediante processos internos. Também temos ampliado a faixa de produtos por acima porque tinha uma demanda não coberta em nossas lojas.
--Textura atingiu os 30 milhões de euros em vendas em 2025. Que previsões têm para 2026?
--Temos ebitdas positivos desde o Covid. A nível de vendas, levamos três anos crescendo a duplo dígito (30% ao todo). Neste ano vamos pelo mesmo caminho de crescimento (10%) e não o baseamos só em abrir lojas, sina que as que temos abertas geram mais venda.
--Quando acometer-se-á o salto a Itália e França através de franquias e daí supõe para a companhia?
--Estamos em isso. Já temos aberto os mercados on-line neste ano em Itália, França e Portugal, e agora estamos em conversas com possíveis partners em Itália e França. Por que com partners? Não é um tema de orçamento, é um tema de conhecimento de mercado, que nos contribua essa visão local. E em Bulgária, Guatemala, Chile, República Dominicana, Portugal e Andorra já temos presença.
--Textura foi pioneira nos anos setenta, mas agora a concorrência é feroz. Ikea e Leroy Merlin, mas também Action e Lidl, vendem têxtil para o lar a preços irrisorios.
--Nós não falamos de clientes associados a certos produtos ou níveis de faixa, sina de momentos. Há momentos nos que os clientes vêm a Textura procurando assessoramento e qualidade, e em outro momento irão a outro comércio. O fundador de Textura, em seu momento, foi um visionario porque introduziu uma forma de comprar e vender têxtil para o lar que não existia. Nesse momento o lar vestia-se comprando todas as teias a jogo. Ele soube democratizar o lar nos setenta. Desde então, têm aparecido muitos competidores, e desde o Covid mais ainda. Como o fazemos? O mercado pode que seja o mesmo, mas tentamos oferecer uma proposta de valor diferente. Diferenciamos-nos e o cliente percebe essa diferença, que em nosso caso é uma firme aposta pelo produto natural, slow, sustentável, que não canse. E esta proposta é diferente à de outras marcas.
--O da sustentabilidade é um nicho crescente?
--A sustentabilidade não se baseia só no preço. Há que se diferenciar a nível conceptual como marca. O cliente tem que ter claro o que está a comprar. Não é o mesmo comprar uma sábana de poliéster muito barata e uma de algodão orgânico algo mais cara. Estão a crescer em todos os posicionamentos. Estão a entrar em todos os segmentos. Nós crescemos para acima porque fazia abaixo não queremos estar. Queremos cuidar o bem-estar do cliente e não vamos apostar por produtos que estragam a pele. Por isso vamos para acima e acrescentamos algumas categorias de produto mais elevadas.
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