Usar o carro, comprar carne ou ir ao dentista converteu-se num repto económico para muitas famílias. O 45% dos lares reconhece ter dificuldades para enfrentar as despesas do automóvel e o 40% para comprar carne ou pescado, segundo o último Estudo de Solvencia Familiar da Organização de Consumidores e Utentes (OCU).
Ainda que a situação económica dos lares tem melhorado ligeiramente em 2025 por terceiro ano consecutivo, a organização adverte de que a guerra em Oriente Médio poderia voltar a pressionar os preços e agravar as dificuldades económicas de muitos consumidores.
O carro, a despesa que mais pesa
Entre as diferentes partidas do orçamento familiar, o uso do carro destaca como um das despesas que mais custa enfrentar. O 45% dos lares assegura ter dificuldades para pagar todo o relacionado com o carro.
O relatório também situa outras despesas essenciais entre os mais complicados para as famílias. Um 42% reconhece problemas para pagar hipoteca-a e um 33% para assumir os custos da calefacção, enquanto o 29% assinala dificuldades para pagar fornecimentos básicos como o gás, a luz ou o água.
Dentista e saúde, entre as despesas mais difíceis
As despesas sanitárias também figuram entre os mais complicados para os consumidores. O 49% dos interrogados afirma que pagar o dentista é difícil ou muito difícil, o que o converte na partida que mais pressão exerce sobre a economia doméstica.
A isso se somam outros custos relacionados com a saúde. O 45% assinala dificuldades para pagar gafas ou audífonos e o 41% para enfrentar despesas vinculadas à saúde mental.
Comprar carne ou pescado, a cada vez mais complicado
A alimentação também não escapa às dificuldades económicas. Segundo o estudo, o 40% dos lares assegura que lhe resulta complicado comprar carne ou pescado.
Outros produtos básicos também geram pressão no orçamento. O 31% afirma ter dificuldades para comprar frutas e verduras e o 25% para adquirir alimentos como pan, massa, arroz, azeite ou lacticínios.
A maioria tem dificuldades para poupar
O estudo também reflete a fragilidade financeira de muitos lares. O 61% dos interrogados afirma que lhe resulta difícil ou muito difícil poupar, enquanto o 59% reconhece que pagar as férias supõe um esforço económico importante.
Em conjunto, o índice de solvencia familiar tem melhorado ligeiramente, passando de 47,4 a 47,8 pontos. No entanto, ainda existe uma importante desigualdade territorial: Extremadura, Canárias e Baleares registam os níveis mais baixos, enquanto o País Basco encabeça o ranking, seguido de Castilla e León e A Rioja.
Rebajar o IVA dos alimentos básicos
Ante este palco, a OCU pede ao Governo medidas para aliviar a despesa das famílias. Entre elas, reduzir de 4% ao 0% o IVA dos alimentos básicos, ampliando a rebaja também a produtos como a carne e o pescado, que actualmente tributam ao 10%.
A organização também reclama facilitar acordos com as entidades bancárias para ajudar às famílias com problemas para pagar a hipoteca, mediante a ampliação de prazos ou a concessão de moratorias.