O plano para acabar com o caos de citas na Segurança Social e SEPE: trâmites resolvidos em 5 dias
A situação de colapso provoca demoras generalizadas (esperas de até 32 dias) e falta de disponibilidade em numerosas províncias para realizar gestões essenciais
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A Organização de Consumidores e Utentes (OCU) tem denunciado nesta segunda-feira o colapso do sistema de citas prévias na Segurança Social e nos escritórios do SEPE, uma situação que estaria a provocar demoras generalizadas e falta de disponibilidade em numerosas províncias para realizar trâmites essenciais.
Segundo a organização, milhares de cidadãos estão a encontrar sérias dificuldades para aceder a gestões básicas como a solicitação da pensão de aposentação ou a prestação por desemprego, devido à escassez de citas presenciais.
Ante esta situação, a OCU reclama eliminar cita-a prévia obrigatória, estabelecer atenção prioritária para coletivos vulneráveis e garantir prazos máximos de resolução para todos os trâmites administrativos.
Um sistema que "impede o acesso igualitario"
A organização critica que a cita prévia, implantada durante a pandemia, se consolidou como um requisito permanente que dificulta o acesso a serviços públicos. Segundo a OCU, este sistema converteu-se numa barreira especialmente grave para pessoas maiores, coletivos vulneráveis ou cidadãos com escassas habilidades digitais, que têm mais dificuldades para completar trâmites através de internet.
"O que nasceu como uma medida excepcional durante a pandemia se converteu num filtro que impede o acesso igualitario a serviços essenciais", denuncia a organização.

Citas impossíveis em muitas províncias
Para analisar a situação real, a OCU tem realizado um estudo prático sobre a disponibilidade de citas no Instituto Nacional da Segurança Social (INSS), centrando-se num dos trâmites mais importantes: a solicitação da pensão de aposentação.
A análise desenvolveu-se durante duas semanas em escritórios de 26 províncias, realizando seis tentativas de cita na cada uma. Os resultados, segundo a organização, mostram uma situação inaceitável. Em mais da metade das tentativas não se conseguiu cita na mesma cidade. Em capitais como Granada, Tarragona, Valencia ou Zaragoza não se conseguiu cita em nenhum das seis tentativas. Em algumas grandes cidades a disponibilidade foi algo maior, mas com prazos de espera muito elevados:
- Bilbao: 28 dias em media
- Múrcia: 20 dias
- Málaga: mais de 23 dias
Problemas também nas citas do SEPE: esperas de 32 dias
A OCU tem ampliado a análise ao Serviço Público de Emprego Estatal para solicitar a prestação por desemprego, um trâmite que deve se realizar num máximo de 15 dias hábeis para não perder parte do subsídio.
Ainda que a disponibilidade foi algo melhor que na Segurança Social, a organização considera que a situação segue sendo preocupante.
Entre os casos detectados:
- Barcelona e Tarragona: sem citas disponíveis nem na capital nem no resto da província.
- Albacete, Bilbao e Oviedo: citas disponíveis entre 28 e 32 dias depois.
Segundo a OCU, estes atrasos podem provocar a perda de direitos económicos ou empurrar aos cidadãos a completar o trâmite por internet, inclusive quando não dispõem dos meios necessários.
As soluções que propõe a OCU
Ante este palco, a organização tem reclamado uma reforma urgente do sistema de atenção administrativa.
Entre suas principais propostas destacam:
- Eliminar cita-a prévia obrigatória para a atenção presencial em trâmites urgentes.
- Atenção prioritária para personas maiores e coletivos vulneráveis.
- Mesas de apoio sem cita prévia para ajudar a obter certificados digitais.
- Campanhas informativas e pontos de ajuda em bairros para facilitar o acesso à administração eletrónica.
Prazos máximos para resolver trâmites
A OCU também pede ao Governo estabelecer prazos máximos garantidos para resolver gestões administrativas:
- Trâmites urgentes: máximo 5 dias
- Resto de gestões: máximo 10 dias
Ademais, propõe publicar estatísticas mensais por escritório sobre os tempos de atenção e aplicar sanções internas quando se produzam demoras injustificadas.

