Anggie Obin, flautista: "Os clubes de jazz estão a fechar"

Entrevistamos à artista e compositora de jazz dantes da apresentação de seu último álbum, 'Luz', num concerto no bairro de Gràcia de Barcelona

httpsmail.google.commailu0dAJBOG PhvBprLBnPO4SjsqukSlMUlmoZkPXY7KQ45jtkvHpN5MRA#inboxFMfcgzQhWBlggBvBzkbVgXbXprnBhpsz (31)
httpsmail.google.commailu0dAJBOG PhvBprLBnPO4SjsqukSlMUlmoZkPXY7KQ45jtkvHpN5MRA#inboxFMfcgzQhWBlggBvBzkbVgXbXprnBhpsz (31)

Sendo ainda uma adolescente, Anggie Obin se subiu ao mesmo palco no que, meio século dantes, Maria Calas debutó em Estados Unidos interpretando Norma. Ali, no imenso teatro Lyric Opera House de Chicago onde Pavarotti deixou actuações memorables, a jovem flautista deu seus primeiros passos no arduo mundo das artes escénicas.

Agora, a também compositora e docente apresenta seu último disco, Luz, que percorre, através de composições jazzísticas próprias acompanhadas por sugerentes doses de improvisación, "o processo que tenho vivido dentro da música". Cita-a, inevitável, é na praça da Vila de Gràcia de Barcelona neste domingo, 20 de setembro, às seis da tarde. Falamos com ela após seus últimos ensaios e dantes de seu concerto dentro do festival L'Hora do Jazz.

--Qual é sua primeira lembrança relacionada com a música?

--A primeira lembrança que me vem à mente é minha mãe me comprando uma guitarra e um microfone em Natal. De brinquedo. Esse foi o primeiro passo: jogar com o instrumento sem regras, só o desfrutar.

--Aos doze anos entrou a estudar flauta clássica no Conservatorio Nacional de Música de Panamá.

--Comecei com a flauta doce na escola e o professor de música criou um quinteto. Fizemos diferentes concertos no colégio e aos onze anos ou assim, quando passas a secundária em Panamá, o maestro nos animou a escolher um instrumento. Lembrança que tinha clarísimo que queria a flauta travesera. Aí me decanto pelo instrumento que quero e o professor me alenta para que me aponte ao Conservatorio.

Anggie Obin en un concierto en La Paloma / RITA PAYÉS - MPHALMASONBERGPHOTOGRAPHY
Anggie Obin num concerto nA Pomba / RITA PAYÉS - MPHALMASONBERGPHOTOGRAPHY

--E aos dezassete já foi-se de gira a Chicago. Como sobrellevó a fama a uma idade tão temporã?

--Vi-o como uma oportunidade importante. Em Panamá, minha vida profissional começou cedo, e quando saí me surpreendeu muitíssimo. Nesse então, já tinha claro que queria fazer música, que esse era meu caminho na vida. Sabia que queria estudar no Berklee College of Music de Boston, e Chicago foi um passo para essa meta.

--Um grande passo.

--Apresentei-me na Lyric Opera of Chicago, que é um teatro imenso, e não só apresentava música clássica, tinha que dirigir uma montagem com um grupo de músicos americanos e aprendi a importância da liderança.

--Quando decidiu abandonar seu país natal?

--Todo foi muito rápido. Aos dezassete audicioné para o programa de verão de Berklee, aceitaram-me e deram-me uma bolsa completa. Uma vez no acampamento, audicioné para a universidade e consegui a bolsa. Assim consegui entrar em Berklee, que é um colégio que vale meio milhão de dólares e minha família não podia pagar.

--De Berklee a Barcelona.

--De Boston mudei-me a Nova York. Estive um par de anos ali e justo dantes da pandemia cheguei a Barcelona. Por sorte, em Berklee conheci a meus amigos catalães, que são músicos muito talentosos: Marina Tuset, Vic Mirallas, Nicolás Ordóñez, Meritxell e Judit Neddermann.

--Flautista, compositora, docente de jazz, com que termo se identifica?

--Eu me defino como flautista, ainda que gosto muito da composição e a docencia.

--É impossível pagar o aluguer tocando um instrumento?

--É uma realidade. Baixo minha experiência pessoal, como música não só podes tocar um instrumento, a não ser que tenhas muito renome e estejas de gira constantemente. Gira-las não te dão um ganho estável. Os bolos e concertos são durante uma temporada. O músico tem que fazer de todo um pouco: classes, concertos, etcétera. É um balanço, mas é difícil. Um mês tens muitos concertos e classes, e com isso podes pagar o aluguer, mas há outros que não. Há que o gerir bem economicamente falando.

--Suponho que a Associació de Músics de Jazz i Música Moderna de Cataluña (AMJM) pagar-lhe-á um cache digno pelo concerto deste domingo na praça da Vila de Gràcia.

--A Associació brinda-me a oportunidade de tocar com músicos brilhantes como Gorka Benítez (saxo tenor), David Xirgu (bateria), Diego Hervalejo (piano) e Horário Fumero (contrabajo), e de nos apresentar em Gràcia, o qual é fabuloso. Em Cataluña vejo que há muitas propostas de músicos incríveis. Há muito boas escolas, mas não há espaço suficiente para todos os músicos que saem do Liceo, do Esmuc e da Oficina de Músics. Aonde vão? O facto de que na Associació abra um espaço para apresentar às novas gerações e aos veteranos, que são os pilares da música, é muito necessário. Os clubes estão a fechar e estes espaços de jazz são importantíssimos.

--A que clubes se refere?

--Em Barcelona, fechou o Milano e o JazzSí também esteve uma temporada fechado, ainda que agora acaba de reabrir. Em Madri, o Café Central fechou, ainda que depois transladou-se ao Ateneo. Há vários que têm fechado porque é um sector precário.

Adicione Consumidor Global como fonte preferida do Google de forma gratuita

Mantenha-se informado com as últimas notícias da atualidade.

Ativar agora