O emblemático Café Central de Madri salva-se do fechamento e abre numa nova localização
Depois de mais de quatro décadas de história em sua sede da Praça do Ángel, o Café Central faz as malas e instala-se no Ateneo de Madri
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Os madrilenos recebem uma boa notícia depois do adeus da livraria Tipos Infames: o emblemático Café Central salva-se do fechamento.
"Duas marcas culturais históricas de Madri unem-se para manter a cultura viva", destaca o diretor do Ateneo, Luis Arroio, sobre a chegada de Café Central a suas instalações.
O Café Central evita o fechamento
O Café Central, um dos locais mais emblemáticos da capital e referente internacional do jazz, não fechará finalmente suas portas.

O histórico bar musical continuará sua actividade numa nova localização no Ateneo de Madri, onde iniciará uma nova etapa depois de mais de quatro décadas de história em sua sede da Praça do Ángel.
O translado ao Ateneo de Madri
O translado põe fim à incerteza gerada no passado mês de julho, quando a direcção do Café Central anunciou seu fechamento definitivo devido à negativa dos proprietários do inmueble a renovar o contrato de aluguer.
Ainda que o local conseguiu posteriormente uma prorrogação temporária, seus responsáveis já trabalhavam então na busca de uma nova localização que garantisse a continuidade do projecto cultural.
A figura de Luis Arroio
Seu grito de auxílio foi escutado pelo presidente do Ateneo de Madri, Luis Arroio, quem decidiu pôr-se em contacto com sua direcção para oferecer-lhes um novo lar nesta instituição cultural.
"Li a notícia do fechamento e vi que eles mesmos diziam que estavam abertos a estudar soluções. Escrevi-lhes imediatamente e, a partir daí, começamos a falar", recorda Arroio.
A 100 metros da localização original
Cabe destacar que o novo espaço se encontra a pouco mais de uma centena de metros da localização original do Café Central e faz parte do histórico edifício do Ateneo.

O acordo atingido não se articula como um contrato de aluguer, sina como uma cessão de espaço dentro de um convênio de colaboração cultural. Deste modo, o Café Central poderá retomar sua actividade mantendo sua identidade, sua programação de música ao vivo (todos os dias em horário de tarde) e seu compromisso com a difusão do jazz. Por sua vez, o Ateneo assumirá a gestão da hotelaria e a cafeteria.
Concertos no Ateneo
Ademais, o clube contará com a possibilidade de organizar até 13 concertos anuais na Cátedra Maior do Ateneo, seu principal salão de actos, conhecido por seu acústica e sua relevância histórica.
"O Ateneo não tem nenhuma ambição económica neste acordo, mas sim toda a ambição cultural", afirma Arroio, quem não se molhou à hora de dar uma data de reapertura do Café Central, ainda que tem deslizado que poderia materializar num par de meses.
Um lugar histórico da capital
Fundado em 1982 no local de uma antiga cristalería de 1908, o Café Central converteu-se num dos grandes templos do jazz em Europa. Em seus 43 anos de história tem acolhido mais de 14.000 concertos e tem recebido a mais de um milhão de espectadores.
Por seu palco têm passado figuras como Tete Montoliu, Pedro Iturralde, Benny Golson, Rum Carter, Sheila Jordan, Brad Mehldau, Chano Domínguez ou Jorge Pardo, entre muitos outros.

