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A eDreams enfrenta um processo judicial por ter enganado milhares de utilizadores com a sua assinatura Prime

A agência de viagens enfrenta uma ação coletiva nos tribunais de Portugal por utilizar práticas "enganosas e agressivas" na contratação e cancelamento do serviço

Ana Carrasco González

Dana Dunne, CEO da eDreams / EP

eDreams enfrenta em Portugal a uma ação coletiva impulsionada pela associação de consumidores Citizens' Voice por supostas práticas comerciais "desleais, enganosas e agressivas" relacionadas com o seu programa de assinatura Prime.

A acção judicial foi apresentada ante o Julgado Civil Central de Lisboa e afecta potencialmente todos os consumidores que "tenham estado expostos, tenham subscrito, estejam vinculados ou a quem tenha sido cobrado" pelo serviço eDreams Prime e Prime Plus, incluindo quotas anuais, renovações automáticas e quantidades retidas ou não reembolsadas.

A ação chega apenas uns meses após que a Autoridade Italiana da Concorrência tenha multado a eDreams com nove milhões de euros pelo uso dos chamados "padrões escuro" na contratação da Prime, uma sanção que a empresa recorreu posteriormente.

Acusam a eDreams de induzir a contratações não conscientes

Segundo a documentação judicial que avança El Economista, os queixosos sustentam que a plataforma apresentou a assinatura Prime de uma forma "insuficiente, opaca ou manipuladora", impedindo que os utilizadores pudessem tomar uma decisão plenamente informada.

A acusação assinala especialmente o processo de reserva de voos e hotéis, onde a contratação do serviço se integrava enquanto o consumidor comparava preços ou realizava o pagamento final da viagem. Segundo Citizens' Voice, este desenho gerava "o risco de uma assinatura inconsciente ou insuficientemente informada".

A app da eDreams / Foto de arquivo

Dificuldades para cancelar a assinatura

Outro dos pontos mais delicados da ação centra-se nas supostas dificuldades para cancelar a assinatura. A organização denuncia que abandonar o serviço era "mais difícil que a inscrição", além de questionar a devolução íntegral de determinados custos cobrados aos utilizadores.

"A conduta descrita apresenta-se como uma violação dos deveres de informação, transparência, lealdade e diligência profissional", recolhe a ação, que também fala de uma possível violação dos direitos dos consumidores à liberdade de escolha e ao consentimento informado.

Que reclama a ação coletiva

A plataforma de consumidores portuguesa pede que eDreams modifique o funcionamento do seu modelo de assinatura e que indemnize os utilizadores afectados pelas supostas cobranças indevidas ou práticas enganosas.

Por sua vez, eDreams recusou as acusações e lembra que a ação ainda não foi admitida a processo pela justiça portuguesa. A companhia defende desde há anos que Prime é um modelo transparente e benéfico para os clientes, baseado em descontos exclusivos para voos, hotéis e outros serviços turísticos.

Prime, o grande motor de crescimento da eDreams

Apesar da polémica, Prime converteu-se num dos pilares estratégicos da eDreams ODIGEO desde o seu lançamento em 2017. Entre abril de 2025 e março de 2026, a empresa registou 630.000 novas inscrições liquidas, mais 5% do que o previsto inicialmente. Graças a este crescimento, a plataforma já atinge os 7,9 milhões de subscritores e mantém o seu objectivo de chegar a 13 milhões de membros antes de 2030.

Actualmente, o programa Prime opera em 11 países, incluído África do Sul, o seu último mercado incorporado. Ademais, a companhia prevê expandir-se proximamente a México, Argentina, Polónia e Emiratos Árabes Unidos. Em paralelo, a eDreams reforçou a sua estratégia com novas modalidades de pagamento e a incorporação de serviços adicionais como a reserva de bilhetes de comboio.