José Anaya (Grappling Ceuta): "O curso de defesa pessoal para mulheres tem crescido um 1000% pela invasão"
O maestro de artes marciales e proprietário do gimnasio Grappling Ceuta revela o drástico aumento na busca de oficinas de segurança por parte de mulheres
A crise humanitária que vive a cidade de Ceuta desde o passado 30 de julho tem provocado que seus habitantes, popularmente conhecidos como caballas, sentam "uma mistura de medo, indignação e uma profunda sensação de abandono", segundo têm denunciado publicamente.
Neste palco, os comércios da cidade autónoma também sofrem as consequências. Por isso temos querido falar com José Anaya, maestro e treinador de artes marciales, e dono do clube Grappling Ceuta.
--Tendes notado um aumento de pessoas que se apontem a vossos cursos de defesa pessoal?
--O tema da defesa pessoal de mulheres não é uma coisa que eu tivesse implantada no gimnasio. De facto, quando abri o clube, faz dois anos, sim que quis o fazer, mas não funcionou. Vinham dois ou três pessoas. No entanto, a raiz do sucedido voltámo-lo a fazer para atender à demanda de muitas mulheres.
--Tem uma cifra?
--Pois implantamo-lo recentemente e temos ao redor de 35 mulheres na cada oficina de defesa pessoal.
--A que acha que se deve?
--É óbvio que a oficina de defesa pessoal tem crescido tanto a raiz do tema da invasão. Terá aumentado um 1000%.
--Tem mudado vosso perfil de cliente no último mês, mês e meio?
--A verdade é que sim, tem mudado. As mulheres animaram-se e apontam-se ao resto de classes. Normalmente, na cada arte marcial costuma ter turnos de três ou quatro pessoas, e o número de mulheres dobrou-se.
--Então, o negócio de Grappling Ceuta não se tem resentido com a crise migratoria?
--Bom, a classe de defesa pessoal tem subido muitíssimo, mas, em linhas gerais, tem baixado a assistência ao clube. O número de sócios total tem diminuído.

--Quantos sócios tem Grappling Ceuta?
--Em setembro de 2025 rondávamos as cento vinte pessoas e este início de curso não temos chegado nem a noventa.
--Um descenso significativo.
--Suponho que há muitos meninos que não podem vir pela distância, porque lhes dá medo. Normalmente, as classes são pela tarde, e em Ceuta pela tarde a gente está mais precavida à hora de sair à rua.
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