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O polémico recarrego de Volotea

A aerolínea elimina o recarrego por combustível que permitia modificar o preço de bilhetes já reservados e que tinha sido questionado por associações de consumidores

Ana Siles

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Volotea tem decidido retirar um dos recargos mais polémicos dos últimos meses. Desde março, a companhia cobra até 14 euros adicionais por trajecto e passageiro em voos já reservados, alegando o encarecimiento do combustível pela guerra em Oriente Médio.

A controvérsia vai bem mais lá da quantidade. O que tem gerado rejeição tem sido que a aerolínea pudesse modificar o preço de um bilhete após que o cliente o tivesse comprado. Uma prática que levou a Facua a denunciar o caso ante o Ministério de Consumo por considerar que vulnerava os direitos dos passageiros.

As dúvidas também não ficaram-se em Espanha. Em Itália, a Autoridade Garante da Concorrência e o Mercado pesquisa se esta fórmula pode constituir uma prática comercial desleal. O sistema permitia revisar o preço do bilhete poucos dias dantes do voo em função da evolução do preço do petróleo, tanto ao alça como à baixa.

Mas para além disto, cabe questionar até que ponto se pode justificar a medida. Espanha não depende em grande parte do petróleo procedente de Oriente Médio e, ao menos em curto prazo, o fornecimento de queroseno não está em risco. Ademais, as associações de consumidores como Facua advertiram de que o mecanismo podia acabar beneficiando mais à companhia que aos viajantes.

Agora Volotea tem optado por retirar o recarrego e assegura que assumirá futuras subidas do combustível. Uma decisão que põe fim a uma medida muito discutida mas que Consumo vai pesquisar e que deixa uma conclusão irrefutable: quando um consumidor compra um bilhete, o preço deve estar fechado desde o primeiro momento.