Nos tempos do Spotify, regressam os gira-discos, os vinis e os Mp3. Na época do Netflix, voltam os reprodutores de DVD e inclusive os de VHS. Na era da Primark e Shein, que fabricam e vendem peças de roupa a três euros, irrompem com força as máquinas de costura em Espanha.
Não é um mundo utópico. São as conclusões do último relatório do comparador de preços idealo, que destaca a saturação digital dos consumidores e a necessidade de recuperar certos hábitos diários que trazem um pouco de paz no meio de tanto ruído.
O vinil nunca morre
Nos últimos dois anos, o interesse pelos gira-discos e pelos vinis aumentou 311% e 147%, respectivamente. Além disso, crescem as pesquisas de reprodutores de DVD (+96,6%) e de Mp3 (+71,9%). Dados que refletem um forte ressurgimento da tecnologia analógica.
"Não se trata de uma atitude nostálgica, como temos visto noutras vezes, mas sim de procurar alternativas para poder parar", diz Kike Aganzo, responsável pela comunicação da idealo, em declarações a este meio. E acrescenta: "Os reprodutores de DVD, que tinham ficado estancados, resurgen, e inclusive voltaram a fabricar-se reprodutores de VHS novos". Mais especificamente, o Samsung SV 240 X 2 VHS vende-se por 499 euros na Amazon.
Os gira-discos mais procurados
Quanto aos gira-discos mais procurados pelos consumidores, este é o top 3 da idealo:
- Audio-Technica AT-LP60X – 159,90 euros
- Sony PS-LX310BT – 249 euros
- Rega Planar 1 – 289 euros
"Trata-se de procurar um lazer limitado, desligar do telemóvel e recuperar aqueles hábitos que têm um início e um final. É, definitivamente, uma reacção natural ao excesso de estímulos do scroll infinito do TikTok, Netflix e outras plataformas", aponta Aganzo.
A revolução da costura
Por sua vez, a costura vivem uma autêntica revolução e as suas pesquisas registam um incremento de 212% no último biénio. "Sobretudo vendem-se máquinas de costura elétricas e compactas da marca Singer, que rondam os 200 euros, e a Winkel SW45 (49,90 euros). Muitas mães tinham-nas em casa nos anos oitenta e noventa. Depois, com o fast fashion de lojas como a Primark e a Shein, a reparação da roupa pareceu desaparecer. E agora está a voltar com tudo”, explica Aganzo.
"Consolidam-se como um dos principais indicadores da ascensão das actividades manuais, como o crochet, em detrimento dos ecrãs", acrescenta o perito.
Viver na realidade
A julgar pelos dados, não se trata de uma moda pontual, mas sim de um crescimento sustentado no tempo. Assim, produtos que pareciam residuais e obsoletos encontram uma segunda vida e cumprem uma função concreta na busca de limites num meio desenhado para não os ter.
Na era da ditadura digital, cada vez mais consumidores estão a afastar-se dos smartphones, das plataformas de streaming, das redes sociais e das compras online para regressar à realidade e recuperar a sua capacidade de concentração perdida.
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