Assim funciona a taxa de três euros nas compras de Shein e Temu que chega o 1 de julho

Todas as aquisições de baixo valor inferiores a 150 euros deixam de estar isentas de impostos e têm um recarrego fixo

Un teléfono con la app de Shein   Monika Skolimowska   dpa
Un teléfono con la app de Shein Monika Skolimowska dpa

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Comprar em plataformas como Shein, Temu ou qualquer outro comércio eletrónico que envie produtos desde fora da União Européia altera para partir de 1 de julho. Bruxelas tem posto em marcha uma nova taxa para as importações de baixo valor com o objectivo de reforçar os controles aduaneiros e equilibrar a concorrência com os vendedores europeus.

A medida aplica-se aos envios cujo valor seja inferior a 150 euros e estabelece um recarrego de três euros pela cada categoria de produto incluída no pedido. Ainda que as plataformas chinesas são as mais afectadas pelo volume de mercadorias que enviam a Europa, a norma tem carácter geral e atinge a todas as compras on-line procedentes de terceiros países.

Que muda desde o 1 de julho?

A União Européia elimina na prática a vantagem que supunha a isenção alfandegária para os pacotes de menos de 150 euros. A partir de agora, a cada categoria de produto incluída num envio deve assumir uma taxa de três euros.

Isto significa que o custo não se calcula por pacote nem por número de artigos, sina pelo tipo de mercadoria. Por exemplo, por um pedido com cinco t-shirts paga-se três euros, mas por um pedido com cinco t-shirts e umas gafas de sol se abonan seis euros, ao tratar-se de duas categorias diferentes. E se o envio inclui produtos de três categorias diferentes, a taxa ascende a nove euros.

Una persona con un paquete de Temu / TEMU
Uma pessoa com um pacote de Temu / TEMU

Terão que pagar mais os consumidores?

Não necessariamente. A Comissão Européia aclara que o responsável por abonar esta taxa é o declarante da mercadoria, isto é, o vendedor ou o importador. Só em situações excepcionais esse custo poderia se transladar directamente ao comprador.

No entanto, é provável que muitas plataformas acabem repercutindo total ou parcialmente esse incremento no preço final dos produtos ou nas despesas de envio.

Por que a União Européia cria esta taxa?

Bruxelas sustenta que o atual sistema tinha ficado defasado pelo enorme crescimento do comércio eletrónico internacional. A excepção para os envios de menos de 150 euros nasceu para evitar um ónus administrativo excessiva nas aduanas, mas o auge de plataformas de baixo custo tem multiplicado o número de pacotes que chegam diariamente ao mercado europeu.

Só durante 2024 importar 4.600 milhões de pacotes de comércio eletrónico na União Européia, uma cifra que praticamente duplica a do ano anterior. Segundo as instituições européias, ao redor de 90% desses envios procedem de Chinesa. O objectivo é impedir que determinados modelos de negócio possam se beneficiar de condições mais favoráveis que os comerciantes estabelecidos dentro do mercado comunitário.

A taxa será definitiva?

Não. A medida estará vigente até o 1 de julho de 2028. Ademais, a Comissão Européia já tem anunciado um novo passo na reforma do sistema aduaneiro. A partir de novembro entrará em funcionamento uma nova plataforma digital que centralizará toda a informação das importações e permitirá calcular com maior precisão o valor real da cada envio.

Com esse novo sistema também chegará um cargo adicional por gestão aduaneira, que oscilará entre dois euros por pacote e somar-se-á ao recarrego de três euros por categoria de produto. O objectivo final de Bruxelas é eliminar definitivamente a ombreira dos 150 euros e aplicar um sistema de impostos padrão a todas as importações realizadas através do comércio eletrónico.