Pilar Díaz, diretora técnica da DO Pimentón do Lado: "O consumidor deve distinguir entre dois tipos de fraude"

A diretora técnica da Denominação de Origem insta a procurar sempre na embalagem o logotipo do Conselho Regulador e o da União Européia

Pilar Díaz, directora técnica de la Denominación de Origen Protegida (DOP) Pimentón de la Vera
Pilar Díaz, directora técnica de la Denominación de Origen Protegida (DOP) Pimentón de la Vera

Ouve o artigo agora…

0:00
0:00

Os conquistadores partiram procurando ouro, mas o que realmente transformaria a vida quotidiana dos espanhóis foi um produto mais pequeno e humilde: as sementes. Acha-se que o pimiento chegou a Espanha da mão de Cristóbal Colón, quem trouxe-o em sua terceira viagem (1493) como um possível substituto da pimienta que se importar de Oriente. Em Extremadura, seu cultivo foi iniciado pelos frailes Jerónimos do Monasterio de Guadalupe e estes o estenderam a outras comunidades de Jerónimos, chegando assim até o Monasterio de Yuste no Lado.

As possibilidades do produto evoluíram. No século XIX, a comarca do Lado era já um dos núcleos de produção de pimentón. Mais adiante, em 1937, ficou constituído o Sindicato de Produtores de Pimentón de Jaraíz do Lado. Hoje em dia, neste alimento batem a intensidade do fogo (nos secaderos adquire seu inconfundível aroma ahumado), a clareza do água da Serra de Gredos que banha os campos e a finura da molienda.

Campanha de promoção

Ainda que é um produto apreciado nas casas e os fogones, a Denominação de Origem Protegida (DOP) Pimentón do Lado pôs em marcha faz uns dias uma campanha nacional de promoção em televisão "com o objectivo de reforçar o conhecimento deste produto e pôr em valor seu processo de elaboração e sua qualidade diferenciada".

E é que o prestígio deste condimento também acorda a picaresca, como demonstrou uma operação do Seprona em novembro de 2025 que pesquisou a três pessoas pelo uso fraudulento da DOP nos queijos que elaboravam. Assim mesmo, a fumaça não é uma garantia: se em bata-a só aparece o termo genérico "pimentón ahumado", o consumidor não está ante a jóia amparada pelo Conselho Regulador. Para desgranar os segredos de seu autenticidad e os reptos do sector, conversamos com Pilar Díaz, diretora técnica da DOP Pimentón do Lado.

--Quais são os objectivos desta campanha? Acha que o pimentón do Lado é um produto justamente valorizado?

--Nosso objectivo com a acção de comunicação que estamos a levar a cabo, concretamente em Antena 3, é que o pimentón do Lado chegue a um público que se preocupa e se interessa por uma cozinha de qualidade. Achamos que é conhecido, mas não o suficiente. Falamos do único pimentón que tem uma denominação de origem. É um produto muito exclusivo, já que é o único pimentón ahumado de qualidade diferenciada em Espanha.

--Qual é a situação dos agricultores, num contexto no que o campo espanhol atravessa grandes dificuldades? A questão climática, o problema de relevo generacional…

--Agora mesmo os agricultores inscritos no D.Ou. para esta campanha rondam os 400. O número de agricultores mantém-se, mas sabemos que o sector do pimiento para pimentón sofre, como sofrem outros sectores. Outro grande problema é o da mão de obra: a cada vez temos mais dificuldades à hora de encontrar a gente que recolha o pimiento. Trata-se de um labor que se faz a mão, já que agora mesmo não está mecanizada. O pimiento é um produto muito delicado e por enquanto não admite a mecanización.

--O pimentón do Lado é um emblema nacional, mas como se comporta no mercado exterior?

--A exportação não supera o 15% ou o 20% porque a demanda no mercado nacional é muito grande. Há que ter em conta, ademais, que em torno de um 70% do pimentón que se produz no Lado vai destinado à indústria chacinera, enquanto aproximadamente um 30% se consome nos lares espanhóis.

--Acha que existe um problema com a fraude ou a suplantación de marcas que imitam o pimentón do Lado?

--Teríamos que distinguir entre dois tipos de 'fraude'. Em primeiro lugar, o dos pimentones nos que põe "do Lado" sem estar certificados pelo Conselho Regulador. O consumidor deve ter claro que o autêntico é o que indica que sim o está. Tanto o comprador habitual como o canal Horeca devem procurar sempre o logotipo do Conselho Regulador e o da União Européia.

Em segundo lugar, dá-se outra fraude nos alimentos que indicam que o pimentón do Lado faz parte dos ingredientes quando realmente não o contêm. Pensemos numas batatas fritadas ou um azeite, por exemplo. Se o produtor inclui pimentón do Lado, pode pô-lo desde que seja o único que utiliza.

--O consumidor atual procura rapidez, mas também autenticidad. Como liga o pimentón do Lado com as novas gerações de cocineros e consumidores jovens que cozinham menos em casa?

--Os que rebasamos os 40 anos temos associada a imagem do pimentón do Lado a platos de colher ou guisos tradicionais, quando realmente é um produto tão versátil que agora mesmo o podes acrescentar a qualquer plato que prepares: saladas, primeiros platos, carne ou pescado e inclusive em postres. Já se estão a fazer chocolates ou bombones que o incorporam. Ademais, há cocineros modernos que estão a apostar pelo pimentón em comidas tão juvenis como pode ser uma hamburguesa. Desde o D.Ou. achamos que tem que ocupar um lugar estratégico na cada cozinha, estando ao lado do azeite e do sal.

--Qual diria que é a maior ameaça e a maior fortaleza do produto?

--Teria muito que dizer de ambas. O pimentón do Lado está respaldado por uma marca de qualidade reconhecida em Europa, e sua origem une qualidade e território. Ademais, é único porque, como dizíamos, tem um sabor ahumado que lhe dá cor e estabilidade. Dantes falávamos da indústria chacinera, e ao respeito há que saber que um chorizo que tenha pimentón do Lado não precisa conservantes, porque actua como um conservante natural. A ameaça seria o compendio de dificuldades que temos comentado dantes. Todo o sector agrícola se enfrenta aos temas da mão de obra e o relevo generacional. Ademais, há que ter em conta os produtos que vêm de países terceiros, como pode ser Chinesa.