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Volotea retira o recarrego por combustível que motivou uma denúncia em Consumo e que se pesquisa em Itália

A aerolínea deixa de aplicar a medida temporária que permitia modificar o preço dos bilhetes já reservados em função da evolução do combustível

Ana Siles

Varios aviones de Volotea en un aeropuerto EP

Volotea tem posto fim ao recarrego pelo aumento do preço do combustível para as novas reservas a partir desta quarta-feira, 10 de junho. A medida tem estado em vigor durante quase três meses, desde sua implantação o passado 16 de março, quando a companhia a justificou pelo impacto do conflito militar em Oriente Próximo sobre os custos do combustível.

O mecanismo permitia modificar o preço dos bilhetes já reservados em função da evolução do mercado energético. Desde sua posta em marcha, a iniciativa gerou críticas e Facua chegou a denunciá-la ante o Ministério de Consumo ao considerar que supunha uma cláusula abusiva para os passageiros. De facto, actualmente a medida também é objeto de investigação em Itália, já que a Autoridade Garante da Concorrência e o Mercado (AGCM) tem aberto um procedimento por supostas práticas comerciais desleais.

Um recarrego de até 14 euros por passageiro

Desde o 16 de março, Volotea aplicava um suplemento aos bilhetes já comprados que podia atingir os 14 euros por passageiro e por voo. A quantia variava em função da evolução do preço do combustível e comunicava-se aos viajantes com uma semana de antelación.

Um avião de Volotea / PEXELS

A companhia tomava como refere os preços de mercado procedentes de fontes públicas sete dias dantes da saída do voo. Em função dessa evolução, ajustava o preço do bilhete ao alça ou à baixa com respeito ao custo inicialmente abonado pelo cliente.

Facua denunciou a medida ante Consumo

O aplicativo deste recarrego levou a Facua a solicitar a intervenção de Consumo. A organização sustentou que a prática era "uma cláusula abusiva e contrária à Lei Geral para a Defesa dos Consumidores e Utentes".

Ademais, a associação questionou o funcionamento do sistema e advertiu de que podia acabar resultando enganoso para os utentes. Segundo assinalou, existia a possibilidade de que a aerolínea eliminasse o mecanismo quando os preços do cru começassem a descer, impedindo que os passageiros se beneficiassem das reduções previstas.

A companhia oferecia mudanças e cancelamentos gratuitas

Como parte desta iniciativa temporária, Volotea permitia aos passageiros modificar seu voo ou cancelar a reserva sem custo até quatro horas dantes da saída programada.

Um avião de Volotea / FLICKR CREATIVE COMMONS

A aerolínea defendia que o sistema não só contemplava incrementos no preço dos bilhetes. Também se comprometia a devolver aos clientes a diferença quando os preços do combustível descessem, até um máximo equivalente ao recarrego aplicado.

Volotea assegura que absorverá futuras subidas

Depois de anunciar a retirada da medida, Volotea tem destacado que o 97% dos clientes afectados optou por manter sua viagem e seguir adiante com seus planos desde a posta em marcha da iniciativa temporária, denominada 'Fair Travel Promise'.

O diretor geral da companhia, David González, tem assinalado que o objectivo da medida era "garantir que nossos clientes pagassem um preço justo pelo combustível, nem um euro mais, ao mesmo tempo em que mantínhamos as tarifas o mais acessíveis possível". A aerolínea também tem indicado que, a partir de agora, absorverá os incrementos do preço do combustível e oferecerá flexibilidade "ilimitada" em todos os bilhetes "sem custo adicional".