Nacho Vai-a (Coolway): "As sapatilhas perfeitas devem ser atraentes e cómodas"
Ensina-a, pertencente ao Grupo Yorga e triunfante no ecossistema digital, joga a vista atrás numa colecção retro running
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"Uma luta constante pela identidade e o estilo próprio, que se diluye entre a massa. Inspiram-nos as pessoas autênticas, as que seguem seu próprio caminho. As que vão a favor e não perdem tempo indo na contramão. Pessoas que contam sua história, que lutam por seus sonhos e que sacam ao mundo a arte que levam dentro". Essa é a definição mercadotécnica, praticamente um manifesto, que Coolway oferece no apartado 'About us' de sua página site.
Mas, ainda que sua vontade seja global e seu enfoque fresco, Coolway tem umas coordenadas concretas: pertence ao grupo valenciano Yorga, proprietário também de Ulanka, e seu atual brand manager, Nacho A vai, é um jovem membro da terceira geração de uma família com um profundo arraigo no mundo do calçado. Falamos com ele sobre sua assinatura de "sapatilhas atrevidas, prontas para a cidade", que triunfa em redes sociais e segue uma máxima: "Sign your art"
--A nova colecção 2003 rende homenagem ao ano em que se fundou a marca. Que valores são os que inspiram este lançamento, que bebe muito da nostalgia, mas também presta muita atenção aos materiais, como o serraje ou o suede?
--É nossa primeira aposta por um modelo retro running. A marca nunca tinha lançado este tipo de produto, e temos querido lhe dar nossa identidade: muito colorido, tons llamativos e frescos, bons materiais e, sobretudo, comodidade.
--A tendência Y2K segue em auge. Que recordas dessa época quanto a moda e tendências?
--Eu tenho 27 anos, e de princípios dos 2.000 lembrança costumes de andares finos, essa estética do pantalón largo… Coolway nasceu em 2003, mas em 2023 fizemos um rebranding e a adaptamos ao ecossistema digital. Meus irmãos, meus primos e eu somos a terceira geração da empresa familiar. Começamos a gerar esta nova narrativa e o verdadeiro é que está a funcionar.
--Ao respeito, o modelo Goal converteu-se num ícone. Em Madri vê-se muitíssimo. Esperabáis tanto sucesso?
--Tem sido bastante inesperado, mas sim é verdadeiro que fizemos uma aposta forte no canal on-line e em presencial com pessoas idôneas, como influencers. Com tudo, se converteu numa referência e a gente tem passado a reconhecer por esse modelo e essa estética. Sobretudo em Espanha, tem sido um boom bastante grande, que de facto nos fez nos dar conta do potencial que tinha a silhueta e a marca no meio digital. Depois temos saltado a Europa e Estados Unidos, e também tem funcionado.
--Como se consegue equilibrar a manutenção de uma identidade de marca forte, que apela ao local, num contexto global?
--Tudo o desenhamos em Espanha. Concretamente, a equipa está em Valencia, mas é verdadeiro que é fundamental estar ao tanto das tendências globais, já que estamos em muitos mercados. Quando um modelo começa a despuntar em X mercados, sabemos que de algum modo podemos arrastar ao resto.
--As sapatilhas estão desenhadas em Espanha, mas onde se fabricam?
--Fabricamos em Chinesa e em Espanha. Em Espanha fazemos alguns acabamentos, algumas edições limitadas, mas o core da fabricação está em Chinesa.
--Desde a perspectiva que dá fazer parte da terceira geração, como dirias que se preservou o legado da empresa familiar?
--Acho que o que nos diferencia é o know-how e a experiência, que não abarca só os 20 anos da história de Coolway, sina os da empresa familiar, que leva 80 anos no mundo do calçado. Esse conhecimento (já seja quanto a materiais, processos de produção ou certas técnicas) é o que mantemos e o que nos distingue, pese a que sejamos uma marca emergente.
--Coolway também comercializa algumas prendas, algum complemento…
--Nós somos uma marca de sneakers. Sempre o vamos ser, e é verdadeiro que sacamos algo de apparel para fazer um pouco mais de ecossistema de marca e complementar a sapatilha, mas nossa aposta sempre vão ser as sneakers.
--A nível pessoal, que têm que ter umas sapatilhas perfeitas?
--O primeiro é que sejam esteticamente atraentes e cómodas. A comodidade é fundamental. Ademais, tem que ter algo diferencial: aposta-a de Coolway é contribuir algo diferente num mercado bastante saturado, com marcas muito tradicionais e muito grandes.
--Como achas que está o sector agora mesmo? Parece que há algumas assinaturas que a cada vez conseguem se fazer maior oco graças à sustentabilidade, como Saye ou Veja.
–Sempre há oco para novos players. É um mercado no que se complicou entrar, porque há players muito estabelecidos, mas a oportunidade existe, já seja contribuindo desde a sustentabilidade, com silhuetas novas, desenhos atraentes e diferentes…
--Que dirias que é o mais difícil e o mais satisfatório de estar à frente de Coolway?
--Num mercado tão saturado, com tantos inputs (conteúdo, IA, movimento a todos os níveis), o mais difícil é se manter relevante com o passo do tempo. Mas, ao mesmo tempo, isso é também o mais bonito: que a cada dia tenhas que fazer algo novo, procurar surpreender de uma maneira diferente e fazer coisas impactantes te mantendo fiel a teus valores. É satisfatório porque obriga-te a não parar de criar.
--Coolway tem um marcado carácter on-line. Que peso tem nas vendas esse canal?
--Quando fizemos o rebranding de 2023 cortamos ao 100% a distribuição comercial e passamos só ao on-line. Foi um sucesso: aos três meses, já nos solicitavam a marca alguns pontos de venda físicos. Diria que o on-line segue sendo nosso forte, mas já estamos num montão de pontos físicos, não só em Espanha, sina em Europa e EUA O passo para o off-line já se está a dar, e acho que acabará cuajando numa loja própria de Coolway.
--Se tivesses que escolher uma marca que te inspire, qual seria?
--A mim pessoalmente gosto bastante Stüssy. Gosto por de valores de marca, por identidade, comunidade, materiais, prendas… Têm sabido trascender o âmbito da moda e têm passado a ser algo mais cultural.
--Onde vês Coolway dentro de um par de anos?
--Espero que presente a todos os mercados do mundo, com algum ponto de venda físico próprio. Ademais, espero que sigamos contribuindo ao mercado costures diferentes, mas nos mantendo fiéis à identidade de Coolway.