O blecaute do 28 de abril de 2025 fez brotar nos consumidores uma sensação de vulnerabilidade e acordou, em alguns sectores, uma verdadeira desconfiança para a infra-estrutura energética. Dado que as causas não têm sido do todo esclarecidas, persiste a dúvida sobre se os sistemas atuais são realmente capazes de suportar a demanda.
Agora, uma análise de Roams revela que o encarecimiento da luz depois do fundido a negro não só se refletiu no preço do kWh, sina também na estrutura das tarifas. Dias dantes do incidente, precisa Edgar Fernández, gestor experiente em energia de Roams, o preço médio das tarifas fixas mais económicas situava-se entre 0,09 e 0,10€/kWh. No entanto, mal seis meses depois, em setembro e outubro de 2025, esse preço se incrementou entre um 30% e um 40%, atingindo os 0,13-0,14€/kWh.
Incremento do termo fixo
Desde então, simultaneamente que as companhias têm reduzido ligeiramente o termo variável -o custo por consumo-, têm incrementado o termo fixo, que é o custo que o utente paga independentemente de quanto consuma.
"Esta estratégia tem provocado que o preço médio tenha passado de 0,13€ a 0,18€, o que supõe uma subida adicional próxima ao 28%", estima Roams. Isto significa que um lar médio com uma potência contratada de 3,45 kW e um consumo mensal de 290 kWh tem passado de pagar 39,55 euros dantes do blecaute a 56,33 euros depois.
Um conceito menos visível
Na factura, o termo fixo é menos visível para o consumidor, mas mais estável para as companhias. "Isto faz que, ainda que se consuma menos, a factura não baixe na mesma proporção", expõe Fernández.
Por outra parte, uma análise de Hello Watt reflete que em março de 2026 os custos pelo serviços de ajuste do sistema elétrico atingiram um máximo histórico, até representar o 28% do termo de energia do PVPC. Isto significa que mais de 1 em cada 4 euros do termo de energia da factura já não se destina a pagar electricidade, sina a manter a rede estável.