Taylor Swift move ficha contra a IA: regista sua voz e sua imagem como marca

A cantora procura reforçar sua protecção legal em frente a réplicas geradas com inteligência artificial e usos comerciais sem consentimento

Taylor Swift durante un concierto en Polonia   EP
Taylor Swift durante un concierto en Polonia EP

Ouve o artigo agora…

0:00
0:00

Taylor Swift tem decidido blindar em frente à Inteligência Artificial (IA), da qual já tem sido vítima. É por isso que a cantora estadounidense tem apresentado as solicitações apropriadas para registar sua voz e imagem como marca comercial e proteger contra o uso indevido da IA.

Segundo informa Variety, o passado 24 de abril, TAS Rights Management, a empresa de Swift, apresentou três solicitações de registro de marca ante o Escritório de Patentes e Marcas de Estados Unidos. A informação destaca que duas delas são mostras de audio destinadas a proteger sua voz. A primeira é "Olá, sou Taylor Swift" e a segunda é "Olá, sou Taylor".

Proteger a imagem de Swift

A terceira solicitação é de tipo visual. Trata-se de uma conhecida fotografia de Swift no palco durante gira-a The Eras Tour, na que aparece "sustentando uma guitarra rosa, com uma correia negra e vestindo um body iridiscente multicolor com botas plateadas. Está de pé sobre um palco rosa, em frente a um microfone multicolor, com luzes moradas de fundo", e com ela, a artista pretende proteger sua imagem.

Taylor Swift durante un concierto DISNEY+
Taylor Swift durante um concerto DISNEY+

A imagem de Swift tem sido alvo recorrente de usos indevidos mediante inteligência artificial, desde os chatbots de Meta até contenido pornográfico que se propagou pelas redes. Assim mesmo, durante a campanha presidencial de 2024, Donald Trump difundiu imagens geradas por IA que sugeriam, de forma enganosa, que a artista respaldava sua candidatura.

A cantora segue os passos de Matthew McConaughey

O passo de Swift para interpor estas solicitações e assim proteger sua voz e imagem se produz após que McConaughey registasse sua famosa frase como David Wooderson "está bem, está bem, está bem", na comédia Movida do 76, dirigida por Richard Linklater em 1993, além de fragmentos de audio e vídeo do actor.

Os advogados que respaldam a estratégia de McConaughey de "te registar a ti mesmo" consideram que isto lhes proporciona uma ferramenta legal adicional em caso de ter que enfrentar a uma réplica gerada por inteligência artificial que tente utilizar a imagem e aparência do actor sem autorização.

Inquietude pelo uso da IA

Josh Gerben, do bufete especializado em propriedade intelectual Gerben IP, explica em seu blog que estas solicitações evidencian a inquietude da indústria ante a ameaça da inteligência artificial, que põe em risco o controle dos artistas sobre sua voz e imagem, permitindo que estas se utilizem sem seu consentimento.

Taylor Swift dando un concierto en Las Vegas / Casey Flanigan (EP)
Taylor Swift dando um concerto nAs Vegas / Casey Flanigan (EP)

"Em teoria, se apresentasse-se uma demanda contra uma IA por usar a voz de Swift, ela poderia alegar que qualquer audio que soe como a marca registada viola seus direitos de propriedade intelectual", argumenta Gerben.

Um mecanismo similar aos direitos de autor

Segundo Gerben, ainda que este enfoque de "registar-se a um mesmo como marca" ainda não se provou nos tribunais em frente à IA, seu potencial é similar ao dos direitos de autor dos grandes estudos, permitindo aos artistas exigir a retirada imediata do conteúdo.

Não obstante, o advogado considera que, em última instância, as recentes solicitações de Swift e McConaughey "estão a pôr a prova novas teorias" sobre como funcionará a lei de marcas na era da IA.

A denúncia de Disney a IA Gemini

Neste ponto, convém recordar que já em 2025, Disney enviou uma carta de cesse e desistência a Google.

A plataforma alegava que a IA Gemini desenvolvida pelo gigante da tecnologia se estava a utilizar para gerar ilegalmente cópias de dúzias de suas personagens registados e foram eliminados ao dia seguinte.