As mercadorias peligran: greve indefinida de transportadoras e autocarros a partir de 8 de junho
UGT exige ao Governo uma resposta por escrito à solicitação de coeficientes redutores realizada pelo conjunto dos sindicatos
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Depois de anos de tensões estruturais no transporte de mercadorias e viajantes, o frágil equilíbrio do sector poderia estar a ponto de saltar pelos ares. A federação estatal de Serviços, Mobilidade e Consumo de UGT (FeSMC), através do sector de Estradas, Urbanos e Logística, tem anunciado a convocação de uma greve sectorial general e indefinida no transporte por estrada de mercadorias (camiões) e viajantes (autocarros) a partir do próximo 8 de junho.
O sindicato exige ao Governo uma resposta por escrito à solicitação de coeficientes redutores realizada pelo conjunto dos sindicatos e as patronales, que permitiriam adiantar a idade de aposentação dos condutores profissionais devido ao factor de peligrosidad desta profissão.
Sem resposta do Governo
"Têm passado mais de seis meses desde que aprovou-se a tramitação da solicitação e não temos obtido resposta do Governo, do Ministério ou da Administração pública, o que implica que depois de seis meses se considera silêncio administrativo e os coeficientes ficam negados. Essa é a única certeza que UGT tem a dia de hoje", tem assinalado o secretário geral de FeSMC-UGT, Antonio Oviedo.

Por isso, tem reclamado ao Ministério de Trabalho uma resposta oficial e por escrito sobre o estado de tramitação do expediente e tem denunciado que nem sequer ter-se-ia reunido ainda a comissão técnica encarregada de avaliar os relatórios necessários para resolver a questão. Já em 2024, o sector do transporte protagonizou várias jornadas de desempregos, com cortes viarios nos acessos de cidades.
Diferenças com outros países
Também tem argumentado que há países como Alemanha, Itália ou França e outros da União Européia que já têm mecanismos reconhecidos para a aposentação antecipada dos condutores, ao ter reconhecida normativamente a penosidad desta profissão.
O secretário federal do sector de Estradas, Urbanos e Logística de FeSMC-UGT, Diego Buenestado, tem dado algumas cifras ao respeito, como os mais de 1.800 condutores profissionais que têm falecido desde o ano 2013. Ademais, tem aclarado que isto não é uma greve contra as empresas, sina contra a Administração pública, neste caso o Governo.

Dados de siniestralidad
FeSMC-UGT tem recordado os preocupantes dados de siniestralidad via registados em 2025. Segundo o Balanço de Siniestralidad Via da Direcção Geral de Tráficou (DGT), no passado ano faleceram 41 pessoas em acidentes com camiões a mais de 3.500 quilos, 17 pessoas em acidentes com veículos comerciais ligeiros e 2 pessoas em acidentes de autocarro. Por isso, um dos lemas que mais têm repetido é que "a fadiga mata".
Para FeSMC-UGT, estes dados refletem com clareza a dureza e a responsabilidade que implica a condução profissional e reforçam a necessidade urgente de reconhecer coeficientes redutores que permitam adiantar a idade de aposentação num sector submetido a elevados níveis de fadiga, estrés e desgaste físico acumulado durante décadas de trabalho ao volante.
