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Tensão em Easyjet: os tripulantes de cabine denunciam "graves irregularidades"

O sindicato acusa à direcção da aerolínea de actuar a costas dos trabalhadores e ocultar requerimentos oficiais

Ana Carrasco González

Un avión de EasyJet Enrique Kaczor EP

A União Sindical Operária (USO) tem elevado um duro escrito ante o Conselho de Administração e o conselheiro delegado de Easyjet, denunciando o que qualificam como "gravísimas irregularidades" por parte da direcção da companhia.

O conflito estoira em pleno processo de registro e subsanación do convênio coletivo de seus tripulantes de cabine, um documento vital para garantizar as condições trabalhistas da plantilla em Espanha.

Denunciam que EasyJet ocultou um requerimento de Trabalho

Num comunicado, USO assegura que a companhia ocultou durante várias semanas o primeiro requerimento de subsanación emitido pela Direcção Geral de Trabalho o passado 10 de junho.

O sindicato afirma que EasyJet respondeu a esse requerimento o 24 de junho de forma unilateral e continuou gerindo o procedimento sem convocar à comissão negociadora do convênio. A julgamento da organização sindical, esta actuação supõe uma vulneración do processo negociador e tem posto "em sério risco a validade, eficácia e entrada em vigor do Convênio", fruto de vários meses de negociações entre empresa e representantes dos trabalhadores.

Umas pessoas regressam a casa num avião de EasyJet / Matt Alexander - EP

Um segundo requerimento agrava o conflito

USO explica que a situação se complicou ainda mais após solicitar informação directamente à Direcção Geral de Trabalho. Segundo o sindicato, o organismo emitiu um segundo requerimento o passado 30 de junho no que exigia que a subsanación do convênio fosse subscrita por toda a mesa negociadora e não unicamente pela empresa.

Para USO, este documento confirmaria que a tramitação devia contar com a participação de todas as partes implicadas na negociação coletiva.

O sindicato acusa à empresa de modificar o texto do convênio

A organização sindical considera ademais "especialmente grave" que EasyJet supostamente modificasse o texto do convênio dantes do apresentar ante a Administração.

Sempre segundo a versão de USO, o documento teria sido assinado unicamente pelo diretor geral da companhia, sem debate prévio nem acordo com a representação sindical. O sindicato entende que esta actuação compromete as garantias do procedimento e questiona a validade do registro do convênio coletivo.

EasyJet nega as acusações e defende a legalidade do processo

Por sua vez, EasyJet tem lamentado as declarações realizadas por USO e tem defendido que o processo se desenvolveu respeitando o regulamento vigente. A companhia destaca que o acordo atingido "contribui benefícios para nossos empregados, ao mesmo tempo em que garante a sustentabilidade em longo prazo de nossas operações em Espanha".

Assim mesmo, assegura que "ao longo de todo este processo EasyJet tem cumprido com todos os requisitos legais" e nega que se tenha produzido "mudança algum unilateral" no conteúdo do acordo. A aerolínea recorda ademais que o convênio coletivo unicamente poderá entrar em vigor uma vez seja assinado pela totalidade da comissão negociadora, tal e como estabelece o procedimento.

O convênio segue pendente de sua entrada em vigor

O confronto entre empresa e sindicato acrescenta incerteza à entrada em vigor do novo convênio coletivo dos tripulantes de cabine de EasyJet em Espanha.

Enquanto USO mantém que a actuação empresarial tem posto em risco a validade do acordo, a aerolínea faz questão de que o processo continua ajustando à legalidade e que o convênio será efetivo uma vez se complete a assinatura de todos os integrantes da comissão negociadora. Pelo momento, ambas partes mantêm posições enfrentadas à espera de que continue a tramitação administrativa do convênio.