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TikTok, assinalada por violar a lei européia

A Comissão Européia acusa a rede social por seu desenho adictivo e anuncia uma sanção que poderia atingir o 6% de sua facturação mundial

Ana Carrasco González

El logotipo de TikTok se ve frente a la sede de la Comisión Europea en Bruselas OLIVIER HOSLET E

A Comissão Européia tem acusado formalmente a TikTok de incumprir a Lei de Serviços Digitais (DSA) por seu desenho "adictivo", que poderia causar danos físicos e emocionais, especialmente entre meninos e adolescentes. Bruxelas considera que a popular rede social chinesa não tem tomado as medidas necessárias para reduzir os riscos derivados de seu funcionamento, o que poderia lhe acarretar multas de até o 6% de sua facturação anual global.

A investigação preliminar levada a cabo pelos serviços comunitários aponta a que TikTok tem incumprido sua obrigação de avaliar os riscos sistémicos de sua plataforma e aplicar medidas corretivas eficazes. No ponto de olha estão práticas como o scroll infinito, o autoplay de vídeos, as alertas constantes de notificações e seu algoritmo de recomendações altamente personalizado, desenhados para maximizar o tempo de uso.

Bruxelas alerta do impacto na saúde mental dos menores

"O vício às redes sociais pode ter efeitos perjudiciales no desenvolvimento mental de meninos e adolescentes, e a DSA faz responsáveis às plataformas dos danos que possam provocar", tem advertido Henna Virkkunen, vice-presidenta do Executivo comunitário responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia.

Segundo fontes comunitárias, as medidas adoptadas por TikTok até agora para mitigar estes riscos são "claramente insuficientes", ainda que o diálogo com a companhia segue aberto. "Temos material suficiente para achar que TikTok está a violar a lei européia", asseguram, conquanto pedem cautela, já que o procedimento ainda não tem concluído.

Multas milionárias e possíveis mudanças obrigatórias na plataforma

De confirmar-se as conclusões preliminares, TikTok poderia enfrentar-se a sanções económicas históricas, que atingiriam até o 6% de seu volume de negócio anual mundial, além da obrigação de modificar o desenho de seu aplicativo em Europa.

A Lei de Serviços Digitais, em vigor desde 2024 para as grandes plataformas digitais, procura reforçar a protecção dos utentes, aumentar a transparência algorítmica e reduzir os riscos associados ao uso intensivo de redes sociais, especialmente em coletivos vulneráveis.

Expedientes similares com Meta, Amazon, Google e X

Este movimento se enmarca numa ofensiva mais ampla da União Européia contra as grandes plataformas digitais. Bruxelas já tem aberto expedientes similares contra Meta, Amazon, Google e X (dantes Twitter), com o objectivo de limitar práticas abusivas, proteger a privacidade e salvaguardar a saúde mental dos utentes.

No caso de TikTok, a pressão é maior devido a sua enorme popularidade entre menores e ao impacto que seu formato de consumo rápido e contínuo tem nos hábitos digitais.