Joan Escuer, geólogo: "Se Qatar deixa de produzir helio pelos ataques, disparar-se-á a eletrónica"
O experiente em geologia e engenharia fluvial adverte de que se a guerra em Oriente Médio persiste e bloqueia a produção das refinarias de Ras Laffan, todos os dispositivos que utilizam semiconductores (microchips) subirão de preço
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fds
--Como afectarão os ataques aos yacimientos de South Pars (Irão) e North Dome (Ras Laffan) aos espanhóis?
--Se não prosseguem, se ficam no que têm sido, ocasionarão uma subida de preços do gás.
--Além da subida do preço do gás e a gasolina, Ras Laffan é uma fonte finque de helio, um gás que se utiliza para a fabricação de semiconductores e chips eletrónicos, entre outros usos.
--O helio usa-se para esfriar superconductores e chips de todo o tipo. É um elemento que não é sustituible. Os cataríes são produtores, mas o gás de helio está controlado por Estados Unidos. Se fica afectado o fornecimento de helio, Chinesa também poderia se ver prejudicada. Ademais, Chinesa é o maior comprador de petróleo iraniano.
--Se os ataques ao yacimiento de Ras Laffan prosseguem, poder-se-ia produzir outra situação de desabastecimiento de semiconductores e chips eletrónicos como a vivida nos tempos do Covid?
--Se os ataques persistem, poder-se-ia interromper a produção de helio em Qatar, e o preço de qualquer produto eletrónico que requeira estes chips disparar-se-ia.
--Que dispositivos eletrónicos requerem estes semiconductores?
--Desde os carros elétricos, até as empresas que se dedicam ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA), passando pelos centros de dados, que são os consumidores mais intensivos de chips.
--Diga-me algumas empresas que sofreriam as consequências desta falta de helio.
--Desde Tesla, até companhias como Apple, Google e Amazon, as grandes empresas de logística… Todas as que consomem dados e utilizam semiconductores ver-se-ão resentidas.
--Mas a indústria terá reservas de chips, não?
--Coreia do Sur, que é um dos maiores fabricantes de chips do mundo, já tem dito que têm reservas para uns seis meses.
--E depois que?
--A priori, até que não baixem as reservas da indústria, o assunto não repercutirá nos preços. Mas se esta guerra dura e escalam-se seus efeitos, os preços seguirão ao alça. Porque o petróleo e o gás repercutem em muitíssimas outras indústrias. Se a guerra de Oriente Médio prolonga-se, a crise global ten-la servida. Se o barril de petróleo mantém-se nos 120 dólares, a crise está servida.