Basta com percorrer os corredores dos supermercados para comprovar os preços desorbitados que têm alguns produtos. Entre eles, o açúcar. Já se sabe que a sacarosa não é boa para a saúde. No entanto, segue-se tendo bastante dependência deste produto.
Tanto o açúcar branco como o açúcar moreno têm subido seus preços nos lineares das correntes de distribuição. Agora bem, a segunda delas apresenta uma diferença mais que notável em sua versão gourmet (ou mais pija, se se prefere chamar assim). Mas, compensa na saúde pagar mais por este produto?
Mais do duplo de diferença
Vamos a exemplos concretos. Um quilo de açúcar moreno da tradicional marca Azucarera custa 2,35 euros no Corte Inglês (1,88 euros o pacote de 800 gramas). Isto mesmo mas transladado ao formato de médio quilo e da marca Diat custa 2,61euros em Alcampo (5,22 euros o quilo). A diferença de preço é tão notável que não passa desapercibida à vista do consumidor.
No caso de Diat, o pacote apresenta uma estética mais própria da categoria gourmet. Ademais, em seu envoltorio deixa claro que seu açúcar prove/provem de cana integral. Uma mensagem que induze a pensar que pudesse ser menos perjudicial para a saúde do cliente. Tendo em conta que a segunda é quase mais quatro vezes cara que a primeira, cabe se perguntar se realmente é melhor para nosso corpo consumir (e pagar) a de Diat.
Diferença entre ambos açúcares
Para resolver a questão central, é importante entender em que se diferencia o açúcar moreno "normal" da que procede de uma cana integral. Eva María Bautista, nutricionista de bluaU de Sanitas, explica a Consumidor Global que a diferença recae em dois factores: processo de produção e composição.
Certamente, a segunda dela conserva mais nutrientes da cana de açúcar original. "Seca-se de maneira natural e contém uma maior quantidade de melaza natural", enfatiza a experiente. Não obstante, a nutricionista faz questão de que ambas devem evitar em qualquer alimentação saudável.
Um processo mais caro?
Afundando nas vantagens e desvantagens de ambos açúcares, a nutricionista reconhece que o processo de produção do moreno de cana integral pode chegar a ser mais caro. Um argumento que, de nenhuma forma, justifica a diferença de preços entre ambos produtos. Assim o explica a este meio José López Nicolás, catedrático de bioquímica da Universidade de Múrcia.
Este experiente recalca que as diferenças nutritivas e na composição química são nulas. "A diferença de processado que há entre um açúcar e outro, desde meu ponto de vista, não justifica as diferenças de preço", sustenta López.
Características sensoriales
As diferenças entre um açúcar moreno tradicional e a que prove/provem de cana integral são quase inexistentes. Tanto Bautista como López assim o aclaram. Em realidade, a única disimilitud entre ambos produtos arraiga na cor e o sabor que se obtém. Neste sentido, o produto da cana integral sim consegue sacar vantagem.
"Ao conter uma maior quantidade de melaza natural, consegue um sabor e cor intensos", explica a nutricionista. "Se o consumidor vai procurando características sensoriales diferentes, este produto sim tem-as", reconhece López. Ainda que "é como se você gostas de um queijo e a mim não, é muito subjetivo", acrescenta.
Uma questão de marketing
Tendo em conta que ambos açúcares moreno são igual de perjudiciales para a saúde, por que o consumidor paga mais por um mesmo produto? A resposta parece bastante intuitiva: é uma questão de marketing. Só isso. Relativo a benefícios para o corpo, nenhuma das duas é beneficiosa. Também não uma é melhor que a outra. A julgamento do catedrático, a diferença de preço é uma questão que teria que transladar aos produtores. Mas sim tem claro que a sociedade espanhola não tem muito conhecimento a nível nutricional.
"Que ocorre quando te põem a palavra gourmet? que a gente se volta louca", explica López. "Costuma-se pensar que o açúcar moreno é melhor que o açúcar branco, mas não é verdadeiro. Minha recomendação de açúcar sempre é zero", conclui o experiente.
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