Loading...

Caelum, o templo doce do Gótico que preserva os sabores do medievo

Esta pastelería do centro de Barcelona recupera o espírito de gozo, sanación e alegria através de antigas receitas de repostería procedentes dos monasterios de Espanha

Teo Camino

Diseño sin título (62)

Caelum significa "céu" ou "firmamento" em latín. Em Barcelona, as portas que dão acesso ao céu estão localizadas na confluencia das ruas Banys Nous e Palla do bairro Gótico, entre lojas de souvenirs e salões de Nails Massage, por surrealista que pareça.

Abrem a cada dia, religiosamente, às doze em ponto, quando Conchita Mont sobe a persiana de Caelum e convida aos feligreses do doce a entrar num estado de comunión eterna e felicidade suprema com um mesmo.

Caelum e os sabores do medievo

"Quando abrimos Caelum em 1998, o fizemos porque queríamos procurar algo que remetesse à energia, à mística. Por isso percorremos com Gemma os monasterios de clausura em procura das receitas e técnicas antigas que perduraban desde o medievo", relata Conchita.

E assim, viajando ao passado, paladeando doces extraordinários com séculos de tradição nesta cripta onde dantes tinha uns banhos judeus, se vive uma epifanía que te reconecta com o presente.

O templo do doce em Barcelona

A exposição de tentaciones monacales do escaparate de Caelum, composta de cortadillos de cidra, polvorones, chulapillas, yema de ovo e corações de mazapán, e coroada com as ambrosías da casa ou o pastel do dia, é uma obra de arte imperdible.

"Temos doces extraordinários que te mudam a cara e no dia", assegura Conchita sobre a carta das delícias, na que também destacam até oito variedades diferentes de mazapán, os meles, as mermeladas e outros prazeres líquidos.

Prazeres líquidos

Na fachada de Caelum que dá à rua da Palla, há uma janela -como o torno dos monasterios de clausura- onde se pode pedir uma xícara de chocolate suíço, um café das noites brancas ou uma refrescante horchata para levar.

"A horchata fazemo-la aqui com a receita de minha avó, que leva almendras, dátiles, cúrcuma e um ponto de cacau", explica a dona da cripta, quem assegura que o chocolate o elaboram com água viva. "Assim é bem mais bom, porque para o fazer tens de pôr bem mais chocolate".

Monasterios de clausura e artistas pasteleros

Os manjares do céu que oferece Caelum provem/provêm de doze monasterios e de três "artistas" pasteleros que, no mínimo, seguem uma tradição de um século.

São criações arcanas, sabores de outros tempos. Por isso, Conchita sempre sugere a seus clientes que "comprem pouco, que se preparem para provar uma receita de 400, 600 ou 800 anos de antiguidade, que se dêem a pequena homenagem e sejam felizes".