Este supermercado aposta pelo produto de temporada e traz de volta o dito espanhol "de figos a brevas": diferenças, propriedades e receitas
Brevas: a "flor" de temporada que só se desfruta umas semanas e que combina seu efeito diurético (ideal para o verão) com seu grande contribua de hidratos de carbono (perfeito para dar energia pré treinamento aos consumidores mais desportistas)
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Há alimentos que anunciam a chegada do verão quase sem fazer ruído, e a breva é um deles. Sua temporada é curta, seu sabor é delicado e sua textura converte-a num desses produtos que vale a pena aproveitar quando aparece em fruterías e mercados. Doce, jugosa e com uma polpa terna, a breva é um bocado muito unido à cozinha mediterránea e às receitas singelas, mas também tem um perfil nutricional interessante.

Ainda que popularmente fala-se dela como uma fruta, a breva tem uma particularidade botánica que a faz diferente: em realidade procede de uma flor investida. Sua origem situa-se em Oriente Próximo e, com o passo do tempo, estendeu-se por todo o Mediterráneo, onde encontrou um clima perfeito para crescer. Não é casualidade que tenha fazer# parte da alimentação de diferentes civilizações antigas e que se lhe atribuísse inclusive um valor especial entre pensadores e desportistas.
Um produto com história e temporada breve
A breva chega dantes que o figo. Normalmente recolhe-se entre finais de junho e julho, enquanto os figos aparecem mais tarde, desde agosto e durante boa parte de setembro, e inclusive até outubro em algumas zonas. Esta diferença de calendário é uma das chaves para distinguí-los.

Ambos procedem da higuera, mas não são exactamente o mesmo. As brevas costumam ser maiores, têm forma algo mais alongada, parecida a uma pera, e seu sabor resulta menos intenso que o do figo maduro. Podem encontrar-se em diferentes tons, ainda que as mais habituais são verdes ou moradas, com uma polpa que vai do rosa ao alvo.
Sua disponibilidade limitada é precisamente parte de seu encanto. Ao durar tão pouco no mercado, convém consumí-las em seu melhor momento: quando estão ternas, aromáticas e maduras, mas não excessivamente macias.
Uma fonte natural de energia
Apesar de seu dulzor, a breva contém uma quantidade notável de água, o que ajuda a que resulte fresca e apetecible nos meses de calor. Ademais, destaca por seu contribua de hidratos de carbono, principalmente em forma de açúcares presentes de maneira natural, como glucosa, fructosa e sacarosa.

Isto a converte num alimento energético, ideal para tomar a meia manhã, como merienda ou após realizar actividade física. Ainda assim, ao tratar-se de açúcares naturalmente presentes no alimento e acompanhados de fibra, seu impacto não deve se comparar com o dos açúcares acrescentados. Por isso, dentro de uma dieta equilibrada, pode fazer parte da alimentação de muitas pessoas, incluídas aquelas que precisam controlar a glucosa, sempre com moderación e seguindo as recomendações profissionais se existe uma condição médica.
Fibra, minerales e efeito saciante
Um dos aspectos mais interessantes da breva é seu conteúdo em fibra. Este componente favorece o trânsito intestinal e contribui a aumentar a sensação de saciedade, algo que pode resultar útil dentro de uma alimentação variada e equilibrada.

Também contribui minerales como potasio, magnésio e calcio. O potasio participa no equilíbrio de líquidos do organismo e no funcionamento normal dos músculos, enquanto o magnésio está relacionado com o sistema nervoso e o metabolismo energético. O calcio, por sua vez, é essencial para a manutenção de ossos e dentes.

Ademais, as brevas contêm compostos antioxidantes e pequenas quantidades de vitaminas como a vitamina C, a provitamina A, a vitamina E e folatos. Estes nutrientes participam em funções importantes do organismo, desde a protecção celular até a formação de glóbulos vermelhos.
Como usar brevas na cozinha
A breva é muito versátil. Pode comer-se tal qual, bem lavada e em seu ponto de maduración, mas também funciona de maravilha em platos doces e salgados. Seu sabor suave permite combiná-la com ingredientes mais potentes, especialmente queijos intensos, frutos secos, mel, ervas aromáticas e carnes de sabor marcado.

Em aperitivos, uma opção rápida consiste em serví-la partida ao meio com queijo azul, umas nozes, um fio de mel e tomillo. O resultado é um bocado singelo, vistoso e com contraste entre doce, salgado e cremoso.
Também pode se incorporar a saladas com rúcula, queijo de cabra, presunto, frutos secos ou vinagretas suaves. Em repostería, encaixa muito bem em tartas, bizcochos, hojaldres, mermeladas e compotas. Sua polpa contribui humidade, dulzor natural e uma textura muito agradável.
Perfeitas também com carne
Ainda que muitas vezes associam-se a postres, as brevas são um magnífico casal para platos de carne. Funcionam especialmente bem com porco, pato, caça ou elaborações com molhos ligeiramente doces. Seu ponto meloso ajuda a equilibrar receitas mais contundentes e contribui um toque sofisticado sem complicar demasiado a preparação.

Um bom exemplo é o solomillo de porco com brevas, mel e romero. Basta com marcar a carne em medallones, preparar uma base de cebolla morada e alho, acrescentar as brevas cortadas, um pouco de mel, vinho branco ou Pedro Ximénez e um ramo de romero. Depois, devolve-se a carne à sartén para que se impregne do molho. Em poucos minutos obtém-se um plato aromático, jugoso e perfeito para uma comida especial de verão.
Um alimento para aproveitar em seu momento
A breva é um desses produtos que convidam a cozinhar de temporada. Sua presença breve no calendário converte-a num pequeno luxo quotidiano, fácil de incorporar tanto a cafés da manhã e meriendas como a receitas salgadas mais elaboradas.
Nutritiva, refrescante e cheia de possibilidades, merece um lugar destacado na cesta durante as semanas nas que está disponível. Porque poucas coisas sabem tanto a início de verão como uma breva madura, doce e recém comprada.

