A Agência de Informação e Controle Alimentares (AICA), organismo dependente do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação, tornou pública a lista das 19 empresas sancionadas durante o primeiro trimestre de 2026 por incumprir a Lei da Corrente Alimentar. As multas, que já são firmes, somam um total de 708.164 euros.
Ainda que os nomes das empresas sancionadas possam resultar desconhecidos para o grande público, muitas delas são peças chave no fornecimento de marcas brancas e produtos frescos de gigantes como Carrefour, Alcampo ou Eroski.
Inadimplências e contratos inexistentes
O caso mais chamativo é o da cooperativa Albafruits, que enfrenta a um castigo recorde de mais de 415.000 euros. A companhia deverá pagar 148.335 euros por não formalizar por escrito os contratos alimentares e outros 267.003 euros por incumprir os prazos de pagamento.
Esta empresa é uma das grandes fornecedoras de frutas de época, como cítricos e figos, que terminam nos lineares das principais cadeias de distribuição espanholas sob etiquetas de marca branca ou produto de origem.
Golpe contra a opacidade no cesto de compras e preços ocultos
Não é o único nome que fez saltar os alarmes. A companhia grossista de frutas e legumes Filhos de Esteban Montiel, que vende em Eroski, foi multada com 54.004 euros por obstruçãp às actuações da Administração e com 21.601 euros por não pagar no prazo.
A situação repete-se no corredor das frutas e legumes de cadeias como Carrefour. Ali é habitual encontrar os produtos de Verdcamp Fruits, sancionada com 13.800 euros por não incorporar o preço e com uma quantidade idêntica por realizar modificações do preço, o objeto, as condições de pagamento ou as condições de entrega e posta a disposição dos produtos.
Produtos biológicos ou gourmet, afetados
Até mesmo os produtos ecológicos ou gourmet foram afetados. A empresa Gumendi, referência em hortaliças ecológicas, está entre as sancionadas. O mesmo ocorre com a Pistake Siglo XXI e a South Organic, que fornecem pistaches e vegetais biológicos.
As autoridades também impuseram uma sanção de 39.600 euros à adega Cherubino Valsangiacomo por incumprimento dos prazos de pagamento. Por este mesmo motivo foram castigadas outras empresas do sector agroalimentar com multas que vão de 1.800 a 13.800 euros, como nos casos de Cítricos O Marco Blanco, Garbella Fruits e Girona Puig.
Resistência, obstrução, desculpa ou negativa
No âmbito dos queijos, Indústrias Lácteas Manzano, que produz Queijos Manzer, vendidos em cadeias como Alcampo, foi castigada por não incorporar o preço no contrato alimentar.
A resistência, a obstrução, a desculpa ou a negativa às actuações da Administração também foram causas de infracção por si só para as companhias Domínio Sport Ausin, Giorgio Cítricos e Mañan.
Por trás das marcas de confiança
Esta enxurrada de multas revela uma realidade incómoda: por trás das marcas de confiança ou dos produtos regionais dos grandes supermercados, às vezes escondem-se práticas que violam a lei. Embora as sanções já sejam definitivas, a AICA mantém a vigilância para garantir que o preço justo e os prazos legais deixem de ser a exceção e voltem a ser a regra no campo espanhol.
Lista completa a das 19 empresas sancionadas pela AICA:
- Albafruits
- Filhos de Esteban Montiel
- Cherubino Valsangiacomo
- Verdcamp Fruits
- Cítricos O Marco Blanco
- Garbella Fruits
- Girona Puig
- Almendrehesa
- Citrus Disot Proexport
- Pistake Século XXI
- Cotillas e Barroso
- O Limonar de Santomera
- Gumendi
- Nectalia First Fruit
- Domínio Sport Ausin
- Giorgio Cítricos
- Mañan
- Indústrias Lácteas Manzano
- South Organic