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Quatro reflexões dantes de "fazer dieta"

Emagrecer e manter o peso perdido não é impossível, mas sim bastante complicado. Em especial se tua estratégia é a de "fazer dieta". Existe outras alternativas, mas implicam uma mudança de perspectiva

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Não vou a marear a perdiz, de modo que irei direto ao grão:

  1. O sobrepeso e a obesidad não é um problema individual, afecta hoje em dia a mais da metade da população adulta nos países desenvolvidos. Repito, a mas da metade, e Espanha não é uma excepção precisamente.
  2. Ninguém, já seja uma administração pública, uma empresa privada ou um particular, ninguém, seja o que seja, tem dado com uma solução universal que seja útil para todo mundo. Perder peso e manter dita perda é um problema complexo que por enquanto não tem solução a escala populacional.
  3. Uma das "soluções" populares mais conhecidas para emagrecer consiste em "fazer dieta", no entanto, a experiência (que não é pouca depois de mais de um século de "dietas") nos diz que "fazer dieta" não é precisamente uma solução válida. De facto, o "fazer dieta" é, na maior parte dos casos, pior que não fazer nada. Isto é, é um factor de risco para, em vez de emagrecer, predizer o aumento de importância no meio e longo prazo.
  4. Pese a isso a "sabedoria" popular translada anualmente três períodos típicos nos que uma parte importante da população decide "fazer dieta" para perder peso: em ano novo, na "operação bikini" (em primavera e face ao verão) e na "volta à escola", tipicamente em outono. E assim a cada ano, todos o anos.

Apesar de todos os esforços, particulares e institucionais, o número de adultos espanhóis com sobrepeso e obesidad vai em aumento de maneira inexorável desde faz 30 anos (de 39% em 1987 ao 57% em 2020). O falhanço desses esforços não deveria, nunca, se fazer descansar na desidia pessoal sina, mais bem em tomar consciência da dificuldade do problema.

Para além de propostas que são absurdamente reduccionistas, baseados no decimonónico proposta do balanço energético ou 'calories in vs calories out' (abreviado como CiCo model) ou as calorías que entram pelas que saem. O verdadeiro é que a complexidade das variáveis que incidem sobre esse equilíbrio é muito difícil de abarcar pela vontade e natureza humana e, ademais, se vêem muitas vezes condicionados por interesses sectarios (tipicamente os da indústria alimentar que elabora os produtos de pior perfil nutricional). Tens um artigo monográfico sobre este particular neste artigo.

O que nunca deverias fazer

Entre essas rotinas clássicas que dever-se-iam descartar de uma vez por todas, destacam o enfrentar, como costuma ser típico, três períodos clássicos ao longo do ano (e todos os anos) para "se pôr a dieta". Esses três "arrebatos" dietéticos seriam, os conhecidos propósitos de ano novo, "a operação bikini" e os da também conhecida como "volta à escola". Em qualquer dos três casos, se enfrenta o problema desde uma perspectiva cortoplacista no que o utente propõe interpor uma série de medidas "especiais" e temporais com respeito ao que, quanto e como comer.

Nesta classe de propostas, um dia começar-se-á com a dieta e outro, quando se suponha que se tenha atingido certa perda de importância, quando o utente se canse, ou quando o próprio calendário indique a finalização da dieta (por exemplo, dieta para perder 5 quilos numa semana), abandonar-se-á. Uma rotina que, com independência do aparente sucesso imediato, está já não sozinho abocada ao falhanço a meio e longo prazo, sina também a um muito pior prognóstico ponderal. Todo isso costuma, ademais, retroalimentar um ciclo eterno de dieta  adelgazamiento exprés  aumento de importância  nova dieta, que costuma implicar, na maior parte dos casos, uma trajectória claramente crescente no peso. Curiosamente o contrário do que se pretende.

Uma melhor perspectiva em frente à dieta: a aderencia

Na actualidade, a principal chave associada ao sucesso dietético na perda de importância e baseada em investigações científicas, chama-se: aderencia. Isto é, não é que dê igual que tipo de mudança dietético se proponha para perder peso, o importante é que dito mudança se mantenha. Dá igual por tanto e até verdadeiro ponto que alguém siga uma dieta baixa em hidratos de carbono como estratégia, que se assuma o conhecido como ayuno intermitente ou que prefira um padrão dietético especialmente rico em proteínas... todas estas propostas podem ter sucesso na medida que sua realização implique uma melhora em frente ao que faziam anteriormente e que, por seu posto, o mantenha de por vida, sem data de caducidad. Algo que desterraria para sempre o facto de "fazer dieta" tal e como o entendemos na actualidade.

Para despedir-me sugiro que prestes atenção à professora Sherry Pagoto quem, neste video de mal 3 minutos resume o estado da questão ao respeito do que é efetivo e não à hora de enfrentar uma perda de importância desde o ponto da dietética.

De modo que, recorda: fazer dieta engorda salvo que faça-la de por vida. Mas claro, isso já não seria "fazer dieta" se não mudar de estilo de alimentação.