As novas recomendações dietéticas da associação americana do coração não são inovadoras
A AHA tem publicado as recomendações dietéticas para a melhora da saúde cardiovascular em 2026. A cúrcuma, o resveratrol e o jengibre (e outras tendências dietéticas) brilham por sua ausência. Neste pós deciframos seu conteúdo
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A principal causa de mortalidade no mundo são as doenças cardiovasculares (cardiopatías isquémicas e acidentes cerebrovasculares) em especial nos países desenvolvidos. Ademais, a má alimentação está fortemente associada com um maior risco de morbilidad e mortalidade por doenças cardiovasculares. Estes dados são mais que suficientes para justificar qualquer proposta de recomendações sobre hábitos dietéticos. Por isso a American Heart Association (AHA), uma sociedade científica de relevância mundial nesta área, actualiza com frequência suas recomendações alimentares. Apesar disso, e em minha opinião, as guias de 2026 não contribuem demasiadas novidades. Vamos ver primeiro as mensagens finque e depois faremos uma análise.
Recomendações 2026 sobre alimentação da AHA
A Associação Americana do Coração assinala nove características nas que incidir para reduzir o risco de doença cardiovascular:
- Ajustar a ingestão e a despesa energética para conseguir e manter um peso corporal saudável.
- Consome muitas verduras e frutas e elege uma ampla variedade.
- Eleja alimentos elaborados principalmente com cereais integrais em lugar de grãos refinados.
- Eleja fontes de proteína saudáveis. E para este apartado realiza quatro recomendações:
- Mais alimentos com proteína de origem vegetal e menos animal, aumentando o consumo de legumes e frutos secos, em detrimento do da carne.
- Incluir pescado e marisco com regularidade.
- Escolher produtos lácteos baixos em gordura ou sem gordura em lugar de produtos lácteos inteiros.
- Quando se decida consumir carne vermelha, eleja cortes magros, evite as versões processadas e limite o tamanho das porções.
- Eleja fontes de gorduras insaturadas em lugar de fontes de gorduras saturadas.
- Escolha alimentos minimamente processados em lugar de alimentos ultraprocesados.
- Minimize a ingestão de açúcares acrescentados em bebidas e alimentos.
- Opte por alimentos baixos em sodio e prepare os alimentos com pouca ou nenhum sal.
- Se não se consome álcool, não comece; se já se consome, limite sua ingestão.
A actualização de 2026 não inclui nenhuma novidade (e isso não é mau per se)
Se consideramos seus pontos finque, esta versão não contribui nenhuma novidade com respeito às guias propostas de 2021. É mais, poderia dizer-se que são idênticas e que as escassas diferenças se devem exclusivamente mais à forma de expressar as recomendações que à mensagem em si que, como digo, é virtualmente o mesmo. É isto mau? Não em si mesmo já que, não se pode esquecer que a ciência não é uma moda e que, por tanto, não está sujeita às exigências desta. Isto é, a necessidade de mudança não é uma característica consustancial do conhecimento como sim o é das modas.
É preciso coincidir que, face aos consumidores, esta circunstância pode gerar certa frustración ao transmitir uma imagem inmovilista. Afinal de contas, os problemas de saúde são os mesmos ou muito similares que faz cinco anos (e mais anos) e as propostas de solução seguem sendo as mesmas.
Apelar ao balanço energético segue sendo, em minha opinião, ridículo
Resulta lamentável que se siga alentando o conteo de calorías entre as que se ingressam com os alimentos e as que se gastam com a actividade física. Conste que esta recomendação não é "uma mais", é a primeira que se cita tanto na atual versão como na de 2021. Não é só um servidor o que considera esta recomendação uma questão de Perogrullo com escasso ou nulo alcance prático, a comunidade científica também tem posto em entredicho este tipo de recomendações. Contei-o neste pós. E todo isso com a finalidade de usar "o peso" como variável a controlar, outro elemento, quando menos questionável à luz da experiência quando se abordam estas questões.
O efeito talismã não existe
A diferença das populares mensagens nas redes sociais nos que se costuma fazer exaltación de alimentos ou nutrientes milagrosos para perder peso, melhorar a saúde cardiovascular e diminuir o risco de diabetes, estas guias (ao igual que as anteriores) dedicam boa parte de seu conteúdo para advertir da importância dos hábitos. Por tanto, não se menciona em nenhum lado os supostos benefícios do jengibre, dos polifenoles do cacau ou da curcumina. E, conquanto em ocasiões faz-se referência a famílias de nutrientes concretas (por exemplo, ácidos grasos saturados, sodio, açúcares, etcétera), é para, finalmente, referir-se a grupos de alimentos concretos que as incluem. Isto é, a guia, fala muito pouco de nutrientes, muito de alimentos e bem mais da importância de hábitos de vida. Em contraposição às medidas extemporáneas e com data de caducidad para "melhorar a saúde".
Tal e como se expressa no documento, as origens das doenças cardiovasculares começam na infância e, portanto, se recomenda um padrão dietético saudável para o coração desde o primeiro ano de vida (inclusive na etapa gestacional), sendo um componente finque na saúde cardiovascular durante toda a vida.
Diferentes doenças, mesmas recomendações, sem suplementos
Pela primeira vez, até onde tem um servidor tem noção, se deixa por escrito ou se reconhece que as recomendações dietéticas emitidas para a saúde cardiovascular são as mesmas, ou muito similares, que aquelas emitidas para a prevenção e tratamento de outras doenças não transmisibles. Entre elas, as da diabetes tipo 2 e o cancro. Fica ainda por reconhecer que essas mesmas recomendações são também as mesmas que as que habitualmente se dirigem para a população geral. Ademais, nestas guias põe-se de relevo, ao igual que nas guias para a prevenção do cancro, que se temos uma alimentação adequada, os suplementos são desnecessários na imensa maioria das pessoas.