Quatro reflexões antes de "fazer dieta"
Emagrecer e manter o peso perdido não é impossível, mas sim bastante complicado. Em especial se a tua estratégia é a de "fazer dieta". Existem outras alternativas, mas implicam uma mudança de perspectiva
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Não vou estar a enrolar, por isso vou direto ao ponto:
- O excesso de peso e a obesidade não é um problema individual, afecta hoje em dia mais da metade da população adulta nos países desenvolvidos. Repito, mais da metade, e Espanha não é uma excepção precisamente.
- Ninguém, seja uma administração pública, uma empresa privada ou um particular, ninguém, seja o que seja, deu com uma solução universal que seja útil para todos. Perder peso e manter a dita perda é um problema complexo que por enquanto não tem solução à escala populacional.
- Uma das "soluções" populares mais conhecidas para emagrecer consiste em "fazer dieta", no entanto, a experiência (que não é pouca depois de mais de um século de "dietas") diz-nos que "fazer dieta" não é precisamente uma solução válida. De facto, o "fazer dieta" é, na maior parte dos casos, pior que não fazer nada. Isto é, é um factor de risco para, em vez de emagrecer, prever o aumento de peso a médio e longo prazo.
- Apesar disso a "sabedoria" popular identifica anualmente três períodos típicos nos quais uma parte importante da população decide "fazer dieta" para perder peso: no ano novo, na "operação bikini" (na primavera e face ao verão) e na "volta à escola", tipicamente em outono. E assim a cada ano, todos o anos.
Apesar de todos os esforços, particulares e institucionais, o número de adultos espanhóis com excesso de peso e obesidade vai aumenta de maneira inexorável desde há 30 anos (de 39% em 1987 a 57% em 2020). O fracasso destes esforços não deve ser atribuído à apatia pessoal, mas sim a uma crescente consciencialização da gravidade do problema.
Para além das abordagens absurdamente reducionistas baseadas no conceito do século XIX de balanço energético ou "calorias ingeridas versus calorias gastas" (abreviado como modelo CiCo), a verdade é que a complexidade das variáveis que afetam este balanço é muito difícil de ser compreendida pela vontade humana e pela natureza e, além disso, é frequentemente influenciada por interesses sectários (tipicamente os da indústria alimentar, que produz produtos com o pior perfil nutricional).Tens um artigo monográfico sobre este particular neste artigo.
O que nunca deverias fazer
Entre essas rotinas clássicas que dever-se-iam descartar de uma vez por todas, destaca-se o enfrentar, como costuma ser típico, três períodos típicos ao longo do ano (e todos os anos) para "fazer dieta". Esses três "picos" dietéticos seriam, os conhecidos propósitos de ano novo, "a operação bikini" e os da também conhecida como "volta à escola". Em qualquer dos três casos, enfrenta-se o problema de uma perspectiva cortoplacista no qual o utilizador propõe interpor uma série de medidas "especiais" e temporais com respeito ao que, quanto e como comer.
Nesta classe de propostas, um dia começar-se-á com a dieta e outro, quando se suponha que se tenha atingido certa perda de peso, quando o utilizador se canse, ou quando o próprio calendário indique a finalização da dieta (por exemplo, dieta para perder 5 quilos numa semana), abandonar-se-á. Uma rotina que, com independência do aparente sucesso imediato, está já não apenas destinada ao falhanço a médio e longo prazo, como também a um muito pior prognóstico ponderal. Todo isso costuma, além disso, retroalimentar um ciclo eterno de dieta emagrecimento rápido aumento de peso nova dieta, que costuma implicar, na maior parte dos casos, uma trajectória claramente crescente no peso. Curiosamente o contrário do que se pretende.
Uma melhor perspectiva face à dieta: a adesão
Atualmente, a principal chave para o sucesso na perda de peso, com base na investigação científica, é a adesão. Por outras palavras, não é que o tipo de mudança alimentar que faz não tenha importância; o importante é mantê-la. Portanto, até certo ponto, não importa se alguém segue uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono, adota o jejum intermitente ou prefere uma dieta rica em proteínas. Todas estas abordagens podem ser bem-sucedidas, desde que representem uma melhoria em relação aos hábitos anteriores e, claro, se mantenham para a vida, sem prazo de validade. Isto eliminaria para sempre o conceito de "dieta" tal como o entendemos actualmente.
Para despedir-me sugiro que prestes atenção à professora Sherry Pagoto que, neste video de apenas 3 minutos resume o estado da questão a respeto do que é eficaz e não na hora de enfrentar uma perda de peso desde o ponto da dietética.
De modo que, recorda: fazer dieta engorda salvo que a faças para toda a vida. Mas claro, isso já não seria "fazer dieta" se não mudar de estilo de alimentação.

