A greve nacional de médicos em Espanha encara este 29 de abril sua terceira jornada consecutiva num contexto de crescente tensão entre o Ministério de Previdência e os sindicatos.
Convocados pela Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos e outras organizações profissionais, os desempregos —previstos até o 30 de abril— mantêm bloqueadas as negociações e agravam o impacto sobre pacientes e o sistema sanitário.
Um conflito enquistado sem visos de acordo
Depois de mais de três meses de mobilizações semanais, o diálogo entre administrações e representantes médicos não só segue estancado, sina que algumas organizações asseguram que está "rompido". Os sindicatos têm elevado o tom e reclamam a intervenção direta do presidente do Governo, Pedro Sánchez, para desbloquear a situação.
Enquanto as administrações falam de um rastreamento moderado, os sindicatos sustentam que a participação é muito maior. Esta divergência repete-se em várias comunidades autónomas como Andaluzia, Canárias e Castilla-A Mancha. Em Madri, o impacto é especialmente notável em todos os níveis asistenciales, ainda que os serviços mínimos estão a ser reforçados. Pelo contrário, em Ceuta e Melilla o rastreamento é mais limitado.
Cancelamentos em massa e listas de espera em aumento
O efeito da greve médica já deixa-se sentir com clareza na atenção sanitária. Em toda Espanha se suspenderam centos de milhares de consultas, provas diagnósticas e intervenções quirúrgicas.
Em Castilla e León, por exemplo, cancelaram-se mais de 230 intervenções quirúrgicas e para perto de 3.000 consultas em sozinho 24 horas. Na Comunidade de Madri, o rastreamento está a provocar incidências generalizadas em todos os níveis asistenciales, com atrasos acumulados e serviços mínimos reforçados. Em Andaluzia e Canárias, os sindicatos também alertam de milhares de citas adiadas, ainda que com diferenças nas cifras oficiais.
A consequência direta é um aumento significativo das listas de espera. Estima-se que a cada semana de greve acrescenta vários dias extra de demora para intervenções quirúrgicas. Ademais, muitos centros sanitários estão reprogramando citas com atrasos que podem oscilar entre três e seis meses, dependendo do serviço.
Impacto económico milionário no sistema sanitário
Para além do colapso asistencial, o conflito também está a gerar um forte impacto económico. As perdas acumulam-se à medida que avançam nos dias de greve.
Em Madri, o custo ascende já a 11,7 milhões de euros desde dezembro. A cada jornada de desemprego supõe para perto de um milhão de euros em perdas nesta comunidade. Em Andaluzia, conflitos similares têm atingido os 39,4 milhões de euros. A nível nacional, o custo diário situa-se entre 10 e 15 milhões de euros. Estas cifras incluem actividade suspendida, quirófanos sem uso e recursos sanitários infrautilizados.
As reivindicações dos médicos
O núcleo do conflito está na rejeição ao rascunho do novo Estatuto Marco. Os profissionais sanitários reclamam um regulamento específico que reconheça as particularidades de seu labor.
Entre suas principais demandas destacam uma jornada trabalhista de 35 horas semanais, uma melhora das condiciones salariais, uma redução da sobrecarga asistencial (com agendas que superam os 50 pacientes diários) e o reconhecimento de uma categoria profissional própria.