A presbiopia - vulgarmente conhecida como vista cansada - é um processo fisiológico natural, associado ao envelhecimento e endurecimento do cristalino, a lente natural que temos no interior do olho, e não desaparece com o repouso.
É importante não confundir com a fadiga visual, que apresenta os mesmos sintomas, ainda que estes são temporários e derivados de um esforço excessivo causado pelo uso excessivo de ecrãs, uma má iluminação, poucas pausas ou uma má distância em tarefas de visão próxima.
Os sintomas da vista cansada
O primeiro que devemos conhecer são os sintomas mais habituais que deveriam alertar do aparecimento da presbiopia.
"Os sintomas típicos incluem dificuldade para focar objetos próximos, secura ocular, visão turva ao ler, dores de cabeça depois de tarefas em visão próxima e sensação de cansaço ocular no final do dia", lista o doutor Javier Moreno, especialista em Oftalmología do Hospital Quirónsalud de Badalona.
A quem afecta a presbiopia?
Pode afetar pessoas com miopia, hipermetropia ou visão correta, uma vez que está relacionado com o envelhecimento do cristalino e não com a prescrição anterior, embora a experiência seja diferente.
“As pessoas com miopia ligeira podem notar menos a presbiopia inicialmente se tirarem os óculos de leitura. Já as pessoas com hipermetropia geralmente detetam-na mais cedo. E aquelas que nunca precisaram de óculos antes costumam ter o seu primeiro problema de visão com a presbiopia por volta dos 43-47 anos”, explica o oftalmologista.
Como melhorar os sintomas da fadiga visual
É importante lembrar que a presbiopia não pode ser prevenida, pois é uma parte natural do envelhecimento. No entanto, é possível melhorar os sintomas de cansaço visual.
Alguns hábitos que podem ajudar a atrasar o aparecimento de sintomas são:
- Realizar pausas frequentes no uso de ecrãs (regra 20-20-20). Consiste em que a cada 20 minutos de tarefas em visão próxima, façamos uma pausa de 20 segundos e foquemos para além de 20 pés (uns 6 metros)
- Manter uma correta iluminação ao ler. Favorece o encerramento da pupila e consequentemente, o enfoque em visão próxima.
- Ajustar a distância e altura dos dispositivos. O enfoque em visão próxima não deveria ser nunca a menos de 40 centímetros de distância. E os dispositivos eletrónicos recomenda-se que estejam à mesma altura ou por embaixo de nossa cabeça. Se estão mais altos, precisa-se abrir mais os olhos e têm-se mais sintomas de secura ocular.
- Proteger os olhos do sol com gafas adequadas.
- Manter uma boa saúde geral (dieta equilibrada, controle de doenças metabólicas).
O uso intensivo de ecrãs
O Dr. Moreno esclarece ainda que "o uso intensivo de ecrãs não causa presbiopia em si, uma vez que é um processo biológico inevitável". No entanto, pode causar cansaço visual e fazer com que os sintomas surjam mais cedo ou se tornem mais percetíveis.
“Quando passamos horas a focar-nos em coisas ao perto, o sistema visual trabalha incansavelmente. Isto provoca fadiga e torna mais evidentes os primeiros sinais de dificuldade de focagem. Além disso, ao utilizar dispositivos digitais, piscamos menos, o que favorece a secura ocular e aumenta a sensação de cansaço”, sublinha o especialista.
Revisões oftalmológicas para detectar a vista cansada
"A partir de 40 anos recomenda-se realizar revisões oftalmológicas periódicas, inclusive ainda que não existam sintomas", aconselha o oftalmologista de Quirónsalud.
Se já existem factores de risco (miopía alta, antecedentes familiares de glaucoma, diabetes), "os exames devem ser mais frequentes e personalizados. Além disso, um exame oftalmológico não deteta apenas a presbiopia, mas também outras doenças oculares que podem surgir com a idade e podem ser assintomáticas”, acrescenta.
Que soluções existem?
Actualmente, existem múltiplas opções para tratar a vista cansada:
- Óculos de leitura.
- Lentes progressivas.
- Lentes de contacto multifocais.
- Tratamentos com laser para modificar a córnea.
- Cirurgia com implante de lentes intraoculares multifocais ou de gama estendida.
A eleição depende da idade, estilo de vida, profissão e saúde ocular da cada pessoa.
Em que casos se recomenda a cirurgia?
"Antes dos 50 anos, a cirurgia não é o habitual, mas pode se valorizar em casos concretos: pessoas com alta dependência de óculos ou com altas graduações, pacientes com catarata precoce, profissionais com exigências visuais específicas ou pacientes que já apresentam outros defeitos refractivos que podem corrigir-se ao mesmo tempo", detalha o doutor Moreno.
Em qualquer caso, a indicação sempre deve ser personalizada depois de uma avaliação completa por parte do oftalmologista.