Cabo Home despliega seus vai-as: artesanato e permanência para conquistar o segmento lar
A marca capitaneada por Nuria Font prevê fechar 2026 com mais de 10 lojas em Espanha, nas que tratará de contagiar seu espírito mediterráneo
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Em março de 2021, a companhia criada por Isak Andic lançou Cabo Home, e desde então a linha de lar não tem deixado de crescer. A categoria vive um auge, tal e como reflete, por exemplo, um estudo do Observatório Cetelem, que mostra uma subida de 14% na despesa em muebles e decoración em Espanha em 2025. Por sua vez, o Observatório Sectorial DBK de Informa evidenció que a facturação do sector do mueble de lar em Espanha aumentou um 4% nesse ano. Existe demanda e disposição à despesa.
Ainda que o projecto de Cabo Home começou-se a fraguar dantes de que a maior parte da população mundial soubesse que era o coronavirus, o timing sintonizó com uma mudança de paradigma global: o redescubrimiento do refúgio doméstico, da importância de um bom sofá e da energia que emana dos pequenos detalhes, como uma bonita ensaladera capaz de elevar o prazer de uma boa massa ou um difusor que transmite serenidad.
Cabo Home: um conceito mediterráneo capitaneado por Nuria Font
Um lustro depois, Cabo quer expandir seu conceito (mediterréneo, luminoso, com um notável apego ao local) de lar. Ao timão desta viagem está Nuria Font, que em junho de 2024 assumiu o cargo de diretora de Cabo Home.

Num comunicado publicado então, a companhia deixou claro para que ventos queria orientar este conceito: "A nova direcção, que contribuirá à consecução dos objectivos marcados no novo Plano Estratégico 2025-2026, reforçará a proposta de valor de Cabo Home através da aspiracionalidad, a qualidade e o estilo próprio". São três conceitos poderosos.
Copos, toalhas e até repousa cobertos
Em primeiro lugar, a aspiracionalidad implica que o objectivo passa por conseguir que os produtos de Cabo Home sejam desejáveis, não só práticos. Assim, um encontra copos e platos "pintados a mão", que evocam comidas relaxadas e suculentas; toalhas de algodão que contêm em seu interior a promessa de um verão espléndido, mas sem sobresaltos; copas e aceiteros com um ponto retro ou inclusive uns simpáticos repousa cobertos de vidro com forma de sandía.

"O sector lar leva anos crescendo e a pandemia actuou como acelerador definitivo. Desde então, a forma em que as marcas de moda entendem o lar tem mudado: colecções frequentes, tendências que muitas vezes se traduzem em colaborações pontuas com desenhadores, arquitectos, ceramistas, fotógrafos (etc.) e materiais de qualidade", explica a este meio Rocío Elizaga, professora de subsectores de moda de ISEM Fashion Business School.
Imagem relaxada e mediterránea
Ralph Lauren, precisa esta experiente, foi o primeiro em potenciar o segmento do lar, sempre muito vinculado a sua imagem de marca. Agora, prossegue, "Cabo está a tratar de transladar essa imagem relaxada e mediterránea ao lar, sabendo que o fazer desde zero seria bem mais difícil. Por isso, transladar o critério estético a outra categoria como o lar pode ser uma vantagem".
Não está claro, crê Elizaga, se a empresa será capaz "de manter essa coerência à medida que amplia categorias (mobiliário, brinquedos, papelaria, etc.) e escala o negócio".

Atenção ao local
Resulta muito destacable que, em multidão de artigos de sua nova colecção, Cabo Home destaque que o produto está "Feito em Espanha" ou bem é "Made in Portugal". Por exemplo, são espanhóis vários marcos de madeira de 31x44 centímetros, criados para fotos de 13x18 cm, que têm o fundo em listras bicolores (29,99 euros).
Na mesma linha, também estão feitas em Espanha várias fundas de cojín elaboradas em algodão com estampados agradáveis (17,99 euros) ou um bonito pack de 4 servilletas de algodão estilo block print (19,99 euros). Entre os lusos, merece menção uma fonte de loza com motivos frutales, pintada a mão e feita em Portugal (45,99 euros). Está a louça artesanal mais de moda que nunca?, perguntava-se faz uns dias Tampas Magazine. Tudo aponta a isso.
Activar "uma ideia de artesanato e permanência"
Nos acessórios e têxteis para o lar, arguye Elizaga, o "made in" tem sua importância na decisão de compra dos clientes que decidem comprar em marcas como Zara ou Cabo. "Uma louça pintada a mão em Portugal ou umas sábanas fabricadas em Espanha activam uma ideia de artesanato e permanência que o consumidor valoriza. Não compra só por utilidade, sina porque valoriza o desenho, a origem, o processo e a qualidade do produto", descreve.

Com isto, Cabo pode diferenciar num mercado onde plataformas como Temu ou AliExpress oferecem produtos de lar a preços imbatibles, "mas sem história ou qualidade detrás".
Ainda é muito cedo para competir com Zara Home
Com tudo, Elizaga acha que é precipitado falar de concorrência direta com Zara Home, um gigante com mais de 20 anos no mercado que estabeleceu as regras do jogo.
"Cabo Home está a construir seu espaço num sector que desde a pandemia não tem deixado de crescer. Aqui o interessante é ver como vai consolidar Cabo um território próprio. Zara Home tem uma proposta mais ampla e adaptável a diferentes estilos decorativos (mobiliário, fragancias, brinquedos, objetos de lavandería) e sobretudo uma imagem de marca bem mais trabalhada com editoriais, colaborações estratégicas, colecções efémeras, etc", descreve. Enquanto, Cabo tem, por enquanto, uma oferta bem mais limitada e uma estética mais concreta: lino, algodão cerâmica artesanal, vidro soprado…
Localizações e preços
Quanto aos preços, Elizaga afirma que Cabo aposta por elevar a qualidade percebida desde o princípio. "Vê-se na produção em cercania, como já temos visto, acompanhado de materiais de qualidade, um desenho trabalhado com acabamentos artesanais e lojas próprias em localizações premium e com novas aberturas previstas", assinala.

Ao respeito, a única loja de Cabo Home na Comunidade de Madri não está nA Vaguada, em Parquesur nem em Plenilunio, sina no shopping Moraleja Green (Alcobendas). A previsão da companhia, que em abril abriu sua primeira loja em Andaluzia, é fechar 2026 com mais de 10 lojas em Espanha.
Afianzar a diferenciação
Não obstante, a professora de ISEM recorda que por trás do auge do segmento lar há uma tendência comum a todo o sector, pelo que a diferenciação deverá afianzarse.
"As marcas de moda incorporaram-se a esta categoria de forma muito natural, e nenhuma quer ficar fora. O risco é que a olhos do consumidor todas acabam propondo algo muito parecido. Por isso é tão importante que a cada marca defina bem que contribui de diferente".

