A factura da luz volta a encarecerse este verão. O preço da electricidade vai situar-se entre os 82 e os 86 euros por megavatio hora, quase um 30% mais que no mesmo período do ano passado, segundo as previsões da consultora Tempos Energia. Todo isso, pese ao princípio de acordo atingido entre Estados Unidos e Irão, que contempla um alto ao fogo de 60 dias e a reapertura do estreito de Ormuz.
Desde a consultora energética advertem de que o pacto chega tarde para aliviar os preços nos próximos meses. "Ainda que a assinatura seja iminente, os barcos não chegarão a Europa dantes de agosto", o que manterá a pressão sobre o mercado energético durante boa parte do verão.
O acordo não aliviará os preços em curto prazo
Apesar do levantamento gradual do bloqueio naval, o acordo de paz não resulta ser um acordo de fornecimento. "O acordo chega, mas fá-lo tarde", resume a consultora. Recordam, ademais, que o gás natural licuado viaja em barco e que, ainda que a assinatura do pacto seja iminente, o fornecimento não terá um impacto imediato sobre Europa.
A isso se suma a situação das reservas européias. Os armazenamentos de gás permanecem em torno do 37% e as inyecciones estão um 26% por embaixo da média histórica. Segundo Antonio Aceituno, analista de mercados estratégicos, "com a assinatura de acordo entre EE. UU. e Irão, a escassez não desaparece".
A electricidade seguirá em níveis elevados
As previsões de Tempos Energia apontam a que o gás mover-se-á entre os 42 e os 46 euros, o nível mais alto desde a crise do gás russo. Em paralelo, a electricidade durante o terceiro trimestre permanecerá entre os 82 e os 86 euros por megavatio hora.
Em caso que o acordo prospere definitivamente, a situação poderia melhorar em outono, quando comecem a chegar a Europa os primeiros metaneros procedentes de Qatar. Esse palco permitiria que o gás baixasse até a banda dos 38-42 euros e que a electricidade retrocedesse até os 78-85 euros por megavatio hora.
O pior palco levaria a luz acima dos 90 euros
A consultora também contempla um palco negativo se finalmente o pacto fracassa. Nesse caso, Irão manteria o controle do estreito de Ormuz e o conflito voltaria a situar a questão nuclear no centro das tensões internacionais.
Segundo Aceituno, o gás poderia disparar-se até os 55-63 euros, enquanto o preço da electricidade superaria os 90 euros por megavatio hora, um mais 35% caro que o verão passado. Ademais, o outono poderia converter-se em "o mais caro da história", com preços acima dos 100 euros, algo que não ocorria desde 2021 e 2022.
Renováveis durante o dia, gás e carvão pela noite
O comportamento do mercado elétrico espanhol também explica parte da volatilidade dos preços durante o mês de maio. "Durante o dia, a electricidade sai quase grátis, ao meio dia a média é de 1,65 euros o megavatio a hora e pela noite custa um 57% mais que ao meio dia", sustenta Aceituno.
A explicação dos preços vem dada pela energia solar. Durante seis horas o sol cobre 67% da demanda, que junto ao vento e ao água atingem 91%. Daí que os preços se desplomen, algo que não sucede durante a noite. "O água só cobre o 21% da demanda, o vento só cobre o 13%. É então quando volta o gás e o carvão para instalar na noite, e faz que a noite se afaste cada vez mais de ter uma energia renovável barata", conclui o experiente.