O plano mais curioso do bairro Gótico em Barcelona: um jantar com leitura de tarot incluída
O restaurante Contraban converte o jantar numa experiência gastronómica diferente oferecendo todas as quartas-feiras uma leitura de tarot gratuita aos comensales
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Crer -ou fingir crer durante um momento- é suficiente para deixar-se arrastar pelo encanto do tarot. A promessa de um futuro interpretado através de umas cartas, ambiguas e abertas a qualquer leitura, converte um jantar qualquer numa experiência distinta. Há quem acercam-se por convicção e quem fazem-no por simples curiosidade, mas todos acabam compartilhando a mesma inquietude: que podem revelar umas cartas sobre aquilo que ainda não tem ocorrido.
No hotel Wittmore, escondido na rua Riudarenes, uma dessas vias estreitas do bairro Gótico barcelonés onde todas parecem se confundir entre si, o restaurante Contraban tem decidido incorporar esse mistério à noite das quartas-feiras. Até o 10 de junho, os comensales podem aceder gratuitamente a uma leitura de tarot durante o jantar, uma proposta que transforma a velada em algo mais que uma experiência gastronómica.
Um oráculo sobre a mesa
Nada mais sentar-se, os clientes encontram um pequeno folleto sobre a mesa. "L'Oracle per a tria", lê-se em catalão. O título, traduzido ao castelhano como O Oráculo para a eleição, acorda inevitavelmente a curiosidade. Os camareros encarregam-se de completar a mensagem: há uma tarotista disponível para quem queira consultar as cartas.
A proposta rompe a rotina habitual do restaurante sem alterar o ritmo pausado do jantar. Alguns clientes hojean o folleto com cepticismo; outros se abanican com ele e também há quem sorriem com cumplicidade entre si. A experiência funciona precisamente por essa mistura de jogo e expectativa que rodeia desde faz séculos ao tarot.
O mistério a vista de todos
A leitura faz-se no interior do hotel. É num rincão à vista de todos onde espera uma jovem tarotista de rosto amável, muito afastada da imagem caricaturesca e teatral sócia tradicionalmente a este oficio.
A seu ao redor, umas velas recreiam uma atmosfera íntima. Sobre a mesa, só há uma baralha de cartas. "As cartas não adivinham o futuro, são um espelho de nosso interior", adverte dantes de começar a cada sessão. A partir daí, as conversas decorrem em privado e baixo uma discreción tácita que todos parecem respeitar.
"Que te disse?"
Quem levanta-se para consultar o tarot volta uns minutos depois ao jantar com uma expressão diferente. Há quem volta sorrindo, quem evita dar demasiados detalhes e quem converte a experiência no tema central da conversa.
A pergunta aparece de forma inevitável entre os presentes: "Que te disse?". A resposta, quase sempre, fica a médias. Esse pequeno segredo compartilhado é, sem dúvida, um detonante de conversa. A cada leitura deixa espaço suficiente para que a cada um interprete aquilo que quer crer ou escutar.
Gastronomia para acompanhar o ritual
Enquanto, a cozinha de Contraban acompanha a experiência com um menu desenhado pelo chef Alain Guiard. O jantar arranca com umas croquetas de setas e trufa e outras de bacalhau que abrem o apetito dantes dos primeiros passes principais.
Depois chegam uma presa ibéria curada com mostaza especiada e um brioche de rabo de boi. O percurso continua com um carpaccio de cigalas e uns canelones recheados de carne e trombetas da morte. O fechamento doce põe-no uma carrot cake, que completa uma proposta pensada para alongar a velada, convertida num palco de confesiones graças ao tarot.

