Depois de um longo voo transatlântico desde Bogotá com escala em Madri e uma conexão posterior até Munique com a companhia Air Europa, Roland Schönbauer e sua mulher plantaram-se o passado 14 de novembro em frente à fita de bagagens do aeroporto alemão. Das quatro malas facturar, uma chegou num estado deplorable.
Era uma Eastpak azul escuro de 79 centímetros. A cerradura tinha sido forçada e o sistema de fechamento principal estava completamente destroçado. Alguém tinha hurgado em seu interior, deixando os objetos pessoais revueltos e sustrayendo, entre outras coisas, uma navaja suíça Victorinox. "Sem esse fechamento, a mala já não serve", relata Schönbauer a Consumidor Global.
Formalizou-se a incidência no aeroporto
Depois de uma hora de espera no terminal, conseguiram dar com um agente de Air Europa. O empregado, que segundo o passageiro actuou com amabilidad, formalizou a incidência redigindo o preceptivo Parte de Irregularidade de Bagagem (PIR).
Tal e como lhe informaram, a aerolínea responderia num prazo de sete dias. Esse foi o começo de um calvario que, em março de 2026, ainda perdura.
A rejeição de Air Europa, pese a reconhecer os danos
Pese a reconhecer a existência do dano, Air Europa ampara-se nos prazos legais para recusar a compensação. O 1 de dezembro a aerolínea confirmou a recepção da solicitação do passageiro e atribuiu-lhe um número de expediente. No entanto, na véspera de Fim de Ano, o 30 de dezembro, comunicou a negativa a indemnizar baseando em sua interpretação do Convênio de Montreal. Segundo sustenta a companhia, ainda que tinha-se formalizado um PIR no aeroporto, o cliente não apresentou uma reclamação formal adicional dentro do prazo legal de sete dias.
Schönbauer recusou cortantemente esta resposta, argumentando que o próprio PIR já constituía a constancia oficial e imediata do dano. Longe de acercar posturas, o 23 de janeiro, depois de uma suposta segunda revisão do caso, Air Europa se enrocó e manteve sua negativa. A inacción da empresa tem deixado ao passageiro sem alternativas, obrigando-lhe a desembolsar 138,14 euros de seu próprio bolso para adquirir uma nova mala.
"Ponho a Air Europa na blacklist"
"Air Europa primeiro evade a realidade por meses. Depois pretende que eu não tinha reportado o dano de forma correta, mentira. Ponho-os em meu blacklist", sentença Roland Schönbauer.
De facto, recentemente, o passageiro tem solicitado a cancelamento e o reembolso íntegro de seus bilhetes de volta com Air Europa programados para o 14 de abril (Munique - Madri - Cidade de Panamá), valorizados em mais de 800 euros. "Já não confio nos serviços da companhia e me nego a voltar a calcar um de seus aviões", assinala.
Air Europa fecha o expediente
O passado 10 de março, Air Europa deu o expediente por fechado, ignorando por completo a exigência de devolução dos bilhetes de abril.
"Meteram-se com o equivocado", conclui Schönbauer.
Consumidor Global pôs-se em contacto com Air Europa para conhecer sua postura oficial ao respeito. Ao fechamento desta edição, a aerolínea tem optado pelo silêncio.