Este é o hotel em México onde Irão se hospeda para o Mundial 2026 depois do veto de Estados Unidos

Ante a negativa de Washington para albergar à equipa devido às tensões políticas, a selecção se aloja na fronteira mexicana

ficionados despiden a los jugadores de la selección de Irán afuera del hotel este domingo en Tijuana
ficionados despiden a los jugadores de la selección de Irán afuera del hotel este domingo en Tijuana

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A só uns passos da fronteira, um hotel de Tijuana (México) tem transformado seu habitual ambiente turístico para converter numa sede de máxima segurança internacional.

Depois de atravessar 12.000 quilómetros e enfrentar as severas restrições migratorias de Estados Unidos, a selecção de futebol de Irão tem encontrado neste recinto bajacaliforniano o asilo necessário para poder disputar a Copa do Mundo 2026.

Tijuana, a inesperada sede mundialista de Irão

Até faz poucas semanas, Tijuana não estava entre as cidades protagonistas do Mundial 2026. No entanto, a chegada de Irão tem mudado o panorama e tem convertido à cidade fronteiriça mexicana num ponto de atenção internacional.

Originalmente, a equipa tinha previsto instalar-se em Tucson, Arizona. No entanto, as altas tensões geopolíticas levaram à administração de Donald Trump a negar a estadia da equipa em território estadounidense, outorgando visas limitadas que só lhes permitem ingressar nos dias de partido.

Los jugadores de la selección de Irán afuera del hotel en Tijuana, México / Joebeth Terriquez - EFE
Os jogadores da selección de Irán afora do hotel em Tijuana, México / Joebeth Terriquez - EFE

O hotel onde se hospeda a selecção iraniana

Ante esta inédita situação logística e a petição da FIFA, México abriu suas portas. A delegação persa arribó na madrugada deste domingo ao Hotel Marriott, localizado no central e importante Boulevard Água Quente.

A eleição deste complexo não é casualidade: além de suas instalações de primeiro nível, o hotel encontra-se a tão só uns metros do Estádio Quente (Centro Xoloitzcuintle), a casa dos Xolos, que servirá como seu campo de treinamento principal.

Operativo de máxima segurança

A chegada dos 55 membros da delegação (15 dos 70 integrantes originais seguem sem visto) esteve marcada por um forte despliegue policial e militar que isolou as inmediaciones do hotel. Pese à imagem de insegurança que a imprensa iraniana tinha projectado de Tijuana nas semanas prévias, o embaixador Abolfazl Pasandideh tem assegurado desde o próprio hotel que a delegação "não tem essa preocupação".

Um pequeno mas ferviente grupo de aficionados tem recebido à equipa na entrada do Marriott à espera de assinaturas em seus álbuns Panini. "É bem mais seguro que a equipa esteja aqui que em Estados Unidos", tem comentado um dos cidadãos iranianos que residem na cidade fronteiriça.

O calendário entre fronteiras

O Tijuana Marriott Hotel não só será um lugar de descanso, sina uma ponte cultural. O embaixador Pasandideh tem confirmado que, durante a estadia da selecção, os salões e arredores do hotel albergarão diversas actividades culturais, gastronómicas e recreativas para acercar as tradições de Meio Oriente aos tijuanenses.

Desde este fortín mexicano, a equipa terá que lidiar com uma logística exhaustiva: viajar em avião cruzando a fronteira a cada vez que lhes toque jogar. Seu calendário na fase de grupos do Mundial é um desafio trans-fronteiriço:

  • 15 de junho: Voo a Los Angeles para enfrentar a Nova Zelândia no Estádio Los Angeles (SoFi Stadium). A equipa sozinha tem recebido uma permissão especial para pernoctar a noite anterior baixo estrita vigilância num hotel de Manhattan Beach, Califórnia.
  • 21 de junho: Regresso a Los Angeles para medir-se ante Bélgica.
  • 26 de junho: Voo para Seattle para seu duelo contra Egipto no Estádio Seattle (Lumen Field).

Enquanto as inmediaciones dos estádios estadounidenses em Los Angeles já são palco de protestos e tensão entre a diáspora iraniana, o Hotel Marriott de Tijuana se erige hoje como o refúgio mais seguro e estratégico para uma selecção que tenta, no meio de vistos negados e conflitos bélicos, se centrar unicamente na bola.