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Críticas a Glovo por expor a suas repartidores ao calor extremo: "É imprescindível implantar medidas"

A companhia de delivery tem sido denunciada pelas condições nas que trabalha sua plantilla em Andaluzia, onde as temperaturas ao sol superam os 50 graus

Ana Siles

A bicicleta de um estafeta da Glovo / Jesús Hellín - EP

Glovo volta a estar no centro das críticas. A Federação de Serviços, Mobilidade e Consumo (FeSMC) de UGT Andaluzia tem denunciado a situação que suporta a plantilla de Glovo durante os episódios de altas temperaturas e as alertas por calor extremo que afectam a Andaluzia, onde nos últimos dias se registaram temperaturas de até 45 graus e os termômetros urbanos têm chegado a superar os 50 graus ao sol.

O sindicato tem considerado insuficientes as medidas adoptadas pela empresa através de seu denominado Protocolo de Verão. Este limita-se, em alguns casos, à partilha de creme solar, electrolitos ou gafas de protecção e à difusão de recomendações preventivas, segundo tem assinalado o sindicato num comunicado.

"É imprescindível implantar medidas"

Para UGT, estas actuações não eliminam o grave risco ao que se enfrentam diariamente as pessoas repartidoras, obrigadas a desenvolver sua actividade durante as horas de máxima exposição ao calor e nas faixas de maior demanda.

Uma mochila de Glovo por uma rua do centro de Madri EUROPA PRESS ALEJANDRO MARTINEZ VELEZ

O vicesecretario geral e responsável por Política Sindical de FeSMC UGT Andaluzia, Juan Antonio González Marín, tem assegurado que "é imprescindível implantar medidas que garantam de forma efetiva a segurança e a saúde de toda a plantilla, cumprindo com o regulamento vigente em matéria de prevenção de riscos trabalhistas".

Que diz a lei?

A Lei 31/1995 de Prevenção de Riscos Trabalhistas, o Real Decreto 486/1997 sobre lugares de trabalho e o Real Decreto-lei 4/2023 obrigam às empresas a adaptar as condições de trabalho quando existam fenómenos meteorológicos adversos que possam pôr em risco a saúde das pessoas trabalhadoras.

UGT tem reclamado que as medidas preventivas vão bem mais lá de simples recomendações e se traduzam em actuações organizativas eficazes. Entre elas, exige a habilitação de espaços protegidos onde as pessoas repartidoras possam esperar os pedidos e se recuperar entre serviços, evitando que tenham que permanecer durante longos períodos na via pública procurando a sombra de uma árvore para suportar as altas temperaturas.

Medidas reclamadas

O sindicato considera necessário reorganizar a actividade durante as horas de maior risco, implantando turnos rotativos, adaptando os horários, incrementando as pausas de recuperação em refúgios climáticos e priorizando o uso de veículos a motor nas faixas de calor extremo, reservando as bicicletas e outros veículos de tracção mecânica para os momentos de menor incidência térmica.

Igualmente, tem reclamado garantir em todo momento o acesso a água potável e hidratación suficiente e suspender ou limitar a actividade quando exista um risco grave e iminente para a saúde da plantilla.