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Vito Quiles e a armadilha dos bilhetes de Renfe: assim percorre Espanha no AVE a metade de preço

A companhia ferroviária denúncia ao ativista que utiliza um truque fraudulento para viajar de maneira mais barata em trajectos de longa distância

Ana Carrasco González

El seudo periodista Vito Quiles en la concentración 'España combativa' Francisco J. Olmo EP

O que começou como um incidente isolado o passado agosto se revelou como um partrón. O ativista ultra Vito Quiles não só teria enganado a Renfe num trajecto pontual (Alicante-Madri); segundo a denúncia da empresa pública, converteu a fraude em seu "método habitual" para percorrer Espanha a metade de preço.

Desde Galiza até Zaragoza, passando por Zamora, a investigação judicial desenha um modelo de conduta que vai bem mais lá de um simples "despiste".

Em que consiste o "método Quiles" segundo Renfe

A técnica utilizada por Quiles era tão singela como arriscada. Segundo os dados contribuídos pela operadora ferroviária, o ativista seguia um padrão fixo desde, ao menos, princípios de 2024:

  • Compra de trechos curtos: adquiria bilhetes para trajectos em media Distancia ou trechos iniciais de Longa Distância (por exemplo, Alicante-Albacete ou Madri-Bacia).
  • Permanência ilegal no comboio: em lugar de baixar na estação paga, Quiles permanecia em seu assento até o destino final (como Madri ou Zaragoza), eludindo o pagamento do trajecto completo, sensivelmente mais caro.
  • Acesso a serviços premium: não conforme com viajar grátis em parte do percurso, a denúncia detalha que ocupava de forma "ilegítima" praças Confort e utilizava a Sala Executive, serviços reservados para tarifas que nunca chegou a abonar.
Um dos comboios AVE numa estación españonda / RENFE - EP

O mapa da fraude: de Alicante a Galiza

Conquanto o caso estoirou com o trajecto Alicante-Madri –quando um interventor lhe descobriu–, a auditoria interna de Renfe tem detectado que Quiles replicou esta estratégia em diversas linhas de alta velocidade. Estes são os destinos detectados onde se aplicava o mesmo padrão:

  1. Zaragoza: usando bilhetes com destino oficial em Calatayud.
  2. Galiza / Zamora: adquirindo títulos de transporte que finalizavam muito dantes de seu destino real.
  3. Madri: seu destino recorrente camuflado baixo bilhetes de curto percurso desde o Levante.

"Não constitui um episódio isolado nem um erro pontual, sina um padrão continuado de conduta dirigido a eludir de forma consciente o pagamento", sentencia a investigação de Renfe.

Citado duas vezes e ausência ante o julgado

O procedimento judicial segue aberto em Alicante. Segundo Renfe, Quiles foi citado em duas ocasiões pelo julgado: a primeira comparecencia suspendeu-se porque não pôde ser localizado e a segunda acabou com sua inasistencia pese a ter sido notificado formalmente.

O ativista tem negado as acusações e chegou a assegurar em redes sociais que nunca se tinha colado num comboio. A denúncia chega ademais num momento especialmente delicado para Quiles, após que o Congresso suspendesse suas acreditações de imprensa junto às do ativista Bertrand Ndongo.